27 February 2021
Inaugurado no dia 28 de março de 2014, na Herdade das Argamassas, em Campo Maior, Portugal. O centro é o primeiro espaço do género na Europa e concretiza o sonho do pai da Delta: proporcionar à comunidade “mais conhecimento e mais investigação”.

Centro de Ciência do Café

Qual é a fórmula certa para produzir um bom café? E que benefícios tem o café para a saúde? Como é que esta bebida se celebrizou no cinema, na literatura ou na música?

As respostas a estas e outras perguntas estão no Centro de Ciência do Café (CCC) que é inaugurado hoje em Campo Maior, no distrito de Portalegre. O espaço é um sonho antigo do comendador Rui Nabeiro, fundador da Delta Cafés, que tem hoje mais uma razão para festejar os seus 83 anos.

“Caminhei durante o último ano a pensar neste dia”, revela o empresário, com um sorriso no rosto enquanto percorre as salas e os corredores do centro que cheira a novo.  Ali se conta a história do café desde o cultivo à torra, a forma como se espalhou pelo mundo e chegou a Portugal, numa viagem que várias vezes se confunde com a própria história da família Nabeiro, ligada ao comércio do café há quatro gerações. “É um centro onde está a nossa alma”, resume o comendador.

O edifício de quase 3500 metros quadrados ergue-se junto às instalações da fábrica da Delta, na Herdade das Argamassas, lado a lado com o Museu do Café inaugurado há dez anos. O centro é, segundo a empresa, o primeiro espaço do género na Europa e concretiza o sonho do pai da Delta: proporcionar à comunidade “mais conhecimento e mais investigação”. “Cada um é dono da sua atitude e a minha atitude é o conhecimento e é espalhar esse conhecimento pelas outras pessoas”, sublinha Nabeiro.

“Com o café cresci e fiz-me homem.” A frase da autoria do comendador – que começou a trabalhar aos 17 anos na empresa de torrefacção do tio, onde assumiu o lugar do pai após a sua morte –, está inscrita na parede branca à entrada do CCC, onde dá as boas-vindas aos visitantes. Pela frente têm uma hora de viagem que começa nas estufas onde se recria a plantação do café, simulando o clima húmido onde crescem as espécies arábica e robusta, e termina num espaço que acolhe exposições temporárias de arte.

O percurso reserva aos visitantes várias experiências sensoriais. Podem fingir que são um grão verde de café em plena torra, ao entrarem numa bola antiga de torrefacção, ou imaginar, embalados pelo barulho das ondas e o ranger das tábuas, que estão dentro de uma nau portuguesa na época dos Descobrimentos, quando o café cruzou as fronteiras da Etiópia e chegou à Europa. Podem ainda ouvir as histórias de quem dedicou a vida ao contrabando do café para Espanha, uma actividade que sustentou famílias inteiras num tempo de miséria, nas décadas de 1930 a 1960.

“Todos os conteúdos foram pensados de uma forma didáctica e lúdica para que todas as pessoas de todas as idades aprendam, divertindo-se”, explica a directora do CCC, Cecília Oliveira.

O centro, desenhado pelo arquitecto João Simão, da Díade Arquitectura e Design, aposta nos elementos multimédia. Numa das salas, os visitantes são convidados a entrar nas cafetarias mais emblemáticas do país, como o café Majestic do Porto ou o Martinho da Arcada de Lisboa. Basta que se sentem à mesa e esperem pela fotografia que os transporta virtualmente para aqueles locais. “Depois podem enviar a fotografia automaticamente para as redes sociais”, acrescenta Cecília Oliveira. Ler o artigo completo.

Fotos: Cerimónia de inauguração do Centro de Ciência do Café, em Campo Maior, 28 de março de 2014. ANTÓNIO CARRAPATO / LUSA

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