Atenas, 29 jun (Lusa) – A cantora luso-cabo-verdiana Celina Pereira representa hoje a lusofonia no Festival Music Now, que decorre em Atenas, num espetáculo único de hora e meia, em que desfilarão os vários géneros musicais de Cabo Verde.

Em declarações à agência Lusa, Celina Pereira explicou que o espetáculo, em que conta com quatro músicos cabo-verdianos – Humberto Ramos (piano), Tó Barbosa (violino), Djudju Ti Alves (cavaquinho) e Nirr Paris (percussões) -, integra um festival de “Música do Mundo” que começou a 17 deste mês e que terminará a 13 de julho.

No espetáculo, que decorrerá no anfiteatro ao ar livre (com capacidade para cerca de 600 pessoas) do Teatro de Zografou, em Atenas, Celina Pereira interpretará temas conhecidos da música cabo-verdiana, entre as mornas, coladeiras, funanás, mazurcas e rabolo, estilo muito próprio da ilha do Fogo.

O convite para o festival surgiu do próprio edil de Zografou, um dos bairros de Atenas, que, em 2015, assistiu em Lisboa a um espetáculo da artista luso-cabo-verdiana e que ficou “satisfeito” com a atuação, disse Celina Pereira.

Na edição de 2015, o festival contou com mais de 20 mil espetadores ao longo de quase um mês de diferentes espetáculos que, à semelhança da de este ano, contou com a presença de músicos gregos e de várias outras nacionalidades.

Natural da ilha cabo-verdiana da Boavista, sobrinha de Aristides Pereira, primeiro Presidente de Cabo Verde, Celina Pereira viu o seu primeiro ‘single’ “Bobista, Nha Terra / Oh, Boy!”, editado em 1979, mas só em 1986 é que lançou o primeiro disco “Força di Cretcheu” (Força do Meu Amor), que inclui histórias e cantigas de roda, brincadeira, casamento e trabalho.

Em 1990 lançou o LP “Estória, Estória… No Arquipélago das Maravilhas”, altura em que começou, paralelamente, a “atividade” de contadora de estórias sobre o imaginário cabo-verdiano.

Três anos depois, em 1993, surgiu o álbum “Nós Tradição” e, em 1998, dá corpo a “Harpejos e Gorjeios” e inicia também uma série de duetos com artistas como o fadista Carlos Zel e o brasileiro Martinho da Vila.

Em 2003 foi condecorada com a medalha de mérito – grau de comendadora – pelo Presidente português, Jorge Sampaio, pelo trabalho na área da educação e da cultura cabo-verdiana.

“Estória, Estória? do Tambor a Blimundo”, lançado em 2004 e alvo de várias reedições desde então, é um áudio-livro que pretende recuperar o património expressivo das histórias e jogos de roda tradicionais africanos.

Em 2014, a consagração chegou a solo cabo-verdiano, quando foi galardoada com o Prémio Carreira na 4.ª edição do Cabo Verde Music Awards (CVMA).

JSD // EL – Lusa/Fim
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