A Cátedra Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável, atribuída Universidade de Coimbra (UC), pretende “utilizar o conhecimento científico no domínio do ambiente e da gestão dos recursos naturais”, criando pontes entre universidades dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), explicou a vice-reitora da UC Helena Freitas, detentora da Cátedra.

Através da cátedra, procura-se criar “uma plataforma integrada de investigação” e fomentar “a formação científica em países africanos”, disse Helena Freitas, durante a apresentação, na reitoria da UC.

A Universidade de Mandume, em Angola, e a Universidade de Lúrio, em Moçambique, são já parceiros da Cátedra UNESCO, havendo a possibilidade, segundo Helena Freitas, de “entrar rapidamente Cabo Verde”.

“Poder partilhar esta cátedra tem um significado histórico”, disse Jorge Ferrão, reitor da Universidade de Lúrio, recordando, contudo, que o seu país “vive uma tensão político-militar”, que pode afetar a própria biodiversidade de Moçambique.

O reitor da universidade moçambicana referiu que se perdeu “70% da fauna”, quando da guerra civil que decorreu entre 1977 e 1992, para se alimentarem “beligerantes”.

Apesar de as florestas entretanto terem “regenerado”, a possibilidade de “ausência de paz pode voltar a afetar os ecossistemas”, pedindo uma “atenção redobrada” para as seis reservas e parques naturais existentes em Moçambique, que “têm sido alvo de caça furtiva sem escrúpulos e com ligações a redes internacionais”.

“Hoje gritamos socorro. Temos de intervir e participar”, alertou, considerando que, a partir da cátedra, se terão de pensar em “formas de agir e de pensar”.

O vice-reitor da Universidade de Mandume, José Mateus Alexandre, presente na apresentação, afirmou que a parceria “é importantíssima”, frisando que, apesar de a sua universidade “apenas ter quatro anos, está empenhada no estudo da biodiversidade”.

O reitor da universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, enalteceu a importância da ligação à CPLP a partir da partilha de conhecimento, frisando que esta cátedra poderá permitir “descobrir coisas novas que possam aumentar a nossa capacidade em preservar a biodiversidade”.

“É uma oportunidade para todos, mas também é uma responsabilidade”, sublinhou.

A cátedra, que decorre entre 2014 e 2017 (podendo ser extensível), é acolhida pelo Departamento de Ciências da Vida da UC e tem como centro de investigação e desenvolvimento o Centro de Ecologia Funcional.

Este projeto, promovido pela UC, procura também estabelecer bolsas de estudo, estágios e intercâmbios, organizar e apoiar mestrados e dissertações de teses de doutoramento, assim como criar um jardim botânico em Angola e promover estudos de biodiversidade, entre outras iniciativas.

Esta foi a primeira cátedra UNESCO em Portugal no domínio das Ciências Naturais.

JYGA (SSS) // MAG – Lusa/Fim

Fotos:

– Vista da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.

– Um estudante posa para a fotografia na Universidade de Coimbra. 16 de junho de 2013. PAULO NOVAIS / LUSA

 

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