25 February 2021
A cooperação entre os Estados membros da CPLP precisa de se "fortalecer e crescer qualitativa e quantitativamente" para que a organização "convirja e ganhe relevância na arena internacional", defenderam hoje os ex-presidentes moçambicano Joaquim Chissano e português Jorge Sampaio.

Casa dos Estudantes do Império: “História, memórias e legados”

Numa mensagem audiovisual difundida no encerramento do colóquio internacional organizado pela Casa dos Estudantes do Império, sob o lema “História, memórias e legados”, Joaquim Chissano apelou para “o fortalecimento e crescimento qualitativo e quantitativo da CPLP em matéria de cooperação entre os seus membros e a sua relevância na arena internacional”.

A defesa do futuro da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) foi feita numa sessão que juntou quatro antigos presidentes de Estados membros da organização lusófona: Jorge Sampaio (Portugal), Cabo Verde (Pedro Pires), Miguel Trovoada (São Tomé e Príncipe) e Joaquim Chissano (Moçambique).

Na sua intervenção, Jorge Sampaio afirmou que hoje os cidadãos dos países de língua portuguesa têm “uma nova responsabilidade, que é convencer os incrédulos que a CPLP tem imenso futuro”, pelo que a organização deve funcionar na base da “cooperação solidificada, enraizada, sincera e sem relações de domínio”.

“Sempre acreditei que a CPLP tinha” essa responsabilidade, mas “não era possível que tivesse no princípio porque estávamos em processos diferentes de desenvolvimento”, disse.

Face aos atuais desafios mundiais, “não é possível que queiramos que todos os Estados sejam convergentes nas mesmas coisas, porque, obviamente, há estratégias regionais que têm que ser entendidas naturalmente, mas há coisas em comum de enorme importância”, frisou Jorge Sampaio.

Uma vez que hoje já não há a guerra de blocos, “nem o bloco A ou bloco B”, Jorge Sampaio considera que a CPLP tem “uma multi-pluralidade extremamente complexa e difícil”, daí que os Estados que integram a comunidade “têm uma responsabilidade de se fazer sentir onde é que pode convergir à escala internacional”, nomeadamente “nas Nações Unidas, reclamando o português como língua oficial nas organizações internacionais”.

“É por isso que precisamos agregar e de ter uma dimensão pluricontinental naquilo que são as nossas possibilidades”, disse o antigo Presidente português, que, anteriormente, aos jornalistas, descreveu a CPLP como “uma espécie de comissão de verdade e reconciliação que se congratula para a paz existir e pelas ações de cooperação”.

A CPLP foi criada em 1996 como um foro multilateral visando o aprofundamento da amizade mútua e cooperação entre os membros.

MMT // JPS – Lusa/Fim


Foto: França Van Dúnem (E- Angola), Pedro Pires (2E- Cabo Verde), Vítor Ramalho (C-UCLA), Jorge Samapio (3D-Portugal), Mário Machungo (1D- Moçambique) e Pascoal Mocumbi(2D- Moçambique), durante a conferência de imprensa sobre a importância que a CEI-Casa dos Estudantes do Império teve para os antigos associados que exerceram funções de Presidente da República ou primeiro-ministro, que decorreu na Fundação Gulbenkian, Lisboa, 25 de maio de 2015. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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