A Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE), em nome de sua diretoria, vem a público para manifestar o seu apoio à Associação de Professores de Português da Argentina (AAPP), que protesta contra a política proposta pela Direção Geral de Cultura e Educação da Província de Buenos Aires, que, sem qualquer justificativa plausível, iniciou um processo de extinção dos professorados de português da província.

O português, ao lado do espanhol e do guarani, é uma das línguas da integração regional, cuja implementação tem sido meta principal das ações e políticas educacionais dos Estados, sobretudo no âmbito do Mercosul [Mercado Comum do Sul], além de ser tema de constante debate nos fóruns acadêmicos e em diferentes instâncias de decisão, públicas e privadas. Além da desejada integração regional e do compartilhamento de interesses linguísticos e culturais, em favor de uma educação linguística de qualidade e de fácil acesso a todos, o português hoje está em evidência no mundo, como Língua de crescente valorização econômica, sendo projetada como uma das línguas de comunicação internacional, assim como o espanhol.

Além disso, e a partir dos acordos multilaterais firmados entre os países do Mercosul e bilateralmente entre a Argentina e o Brasil, visando à ampliação da oferta das línguas portuguesa e espanhola em seus países, respectivamente, projetou-se a necessidade da criação de novos postos de trabalho para professores dessas línguas, com reflexos na formação desses novos profissionais. No caso específico da ampliação da oferta do português na Argentina – realidade que se intensificou a partir do ano de 2010, com a implantação progressiva da Língua Portuguesa nas escolas de nível médio –, os professorados desempenham um papel fundamental para a formação de novos professores de português, que não somente atenderão ao público das escolas médias, mas também a diferentes entidades do mercado educacional, como os institutos, as escolas, as universidades etc.

Contrariamente a esses argumentos, a decisão da Direção de Educação Superior, subordinada à Direção Geral de Cultura e Educação da Província de Buenos Aires, segue na contramão do que aponta a própria Lei de Educação Nacional (LEN) da Argentina, que estabelece a universalização e a ampliação da oferta de línguas estrangeiras como uma de suas principais orientações. No caso específico do contexto sul-americano, ampliar a oferta do português e, consequentemente, da formação de novos professores dessa Língua, é contribuir para a promoção de uma educação em língua estrangeira que visa à preparação dos sujeitos para o trânsito e o diálogo no âmbito regional, fortalecendo as relações entre o português, o espanhol e o guarani, bem como entre os países e suas políticas linguísticas e culturais. Ler o artigo completo.

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