“Mosaico” é o título do CD de estreia a solo da jovem cantora cabo-verdiana Sara Alhinho, que integra oito temas da sua autoria e que, disse em entrevista à agência Lusa, reflete as vivências portuguesa, mexicana e cabo-verdiana.

Composto na guitarra, com a direção artística e a produção a seu cargo, “Mosaico”, explicou Sara Alhinho, foi gravado nas cidades da Praia e do México, contando com a participação de vários artistas, entre cabo-verdianos, mexicanos, italianos e senegaleses.

“É um mosaico em todos os sentidos, pela diferença das pessoas que participaram, por expressar um pouco a minha vivência, a minha cultura e por ter influências das culturas mexicana, cabo-verdiana e portuguesa. Fala sobre a minha identidade, da minha exposição a várias culturas”, explicou.

Natural de Lisboa, onde nasceu a 24 de janeiro de 1985 (28 anos), Sara veio para a Cidade da Praia, onde a mãe, a também cantora Tété Alhinho, e o marido, mexicano, permitiram que, a meio da adolescência, passasse uma temporada na Cidade do México, seguindo depois para as Canárias, onde cursou Comércio Externo e Marketing.

“Sinto-me retratada (no CD). Completamente. É o meu filho, o espelho da Sara. Mas tive de sacrificar algumas coisas para não perder essa autenticidade. Estive presente em todas as fases e foi uma descoberta, pois não tive muitos recursos”, disse, indicando ter tido “boa recetividade” ao ‘single’ “Duelo” por si publicado no Facebook.

“Mosaico” vai ser lançado oficialmente a 27 deste mês numa unidade hoteleira da capital de Cabo Verde e, além das composições, Sara Alhinho escreveu a maioria das letras, que falam de amor, identidade, saudade, encontros e desencontros, do Diabo e do Anjo, do medo, da liberdade de expressão, de lamentos – “temas do quotidiano”.

A cantora, que compõe desde os 15 anos – quando escreveu uma música para um ex-namorado, mas cujo título nem se lembra -, não esconde a influência que a mãe tem tido na sua carreira, iniciada precisamente com a participação, com dois temas, num álbum conjunto com Tété Alhinho, “Gerassons”, lançado em 2008.

“A minha mãe é o meu ídolo. Parte do que sou, devo-o à minha mãe. Ela está presente, é a pedra base do meu mosaico, mais uma. A influência da minha mãe está presente em mim, mas também não posso fugir ao que sou, a Sara”, assumiu.

“Eu não tenho sentido isso diretamente, mas sei que vai ser um dos meus ‘handicaps’. Mas o Brasil tem muitos exemplos disso. Nunca rejeitei a minha mãe. Acho que ela foi o pulso na minha carreira. Ela também participa no CD. E quando se assume que tudo faz parte de nós, porque não?”, questionou.

Quanto ao futuro, Sara Alhinho disse estar ainda por decidir, pois vai depender do “feedback” que obtiver de “Mosaico”, lembrando que, em Cabo Verde, é “muito difícil” viver só da música.

“Quando se monta uma empresa, até certa altura, tem de se ter controlo até haver capacidade de delegar. Estou a tentar fazer isso. Mas a música não vai parar. Estive cinco anos a estudar e estou a trabalhar. Parei para fazer o CD, mas vou retomar o trabalho, apesar de a música estar sempre presente. Como ‘hobby’ ou de forma permanente, logo se verá”, concluiu.

JSD // VM – Lusa/Fim

Foto: “A jovem cantora cabo-verdiana Sara Alhinho, 17 setembro 2013, Cidade da Praia, Cabo Verde. JOSE SOUSA DIAS/LUSA

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