M’banza Kongo era um centro político e administrativo muito importante, porque era a capital do antigo Reino do Congo. O primeiro contato português com o rei do Congo data de1490 e teve lugar na capital de M’banza Kongo, onde foi criada a diocese de Angola e Congo. Na verdade, em M’banza Kongo ainda podemos ver edificações do século XVI, tais como, as antigas ruínas da catedral, construída no mesmo lugar onde os portugueses construíram a primeira igreja a sul do Equador, a residência dos reis da Congo, onde é agora o Museu do reino do Congo, o túmulo dos reis e muitas outras edificações que constituem um relato extraordinário do passado. A zona histórica de M’banza Kongo, foi classificado em 1957, devido à sua grande importância para o Património Cutural angolano e mundial. Ler mais»

Rosa Cruz e Silva discursava na cerimónia que assinalou hoje o dia da Cultura angolana, em ato realizado precisamente na cidade de Mbanza Congo, capital da província do Zaire, no norte do país.

Segundo a ministra, devido à candidatura em curso, os angolanos sabem também mais hoje sobre a sua realidade. Lembrou que desde a implantação do cristianismo e respetiva expansão, aquela cidade testemunhou a construção de 12 igrejas, o que lhe valeu o título de Congo dya Ngunda, e o ensino das letras e da aritmética, uma prática regular.

“Propunham-se os reis do Congo em transformar o Congo num Estado Cristão [no início do colonialismo português], pelo que a adoção de determinados aspetos dos valores europeus revelam essa capacidade de receber, mas também de dar”, lembrou a ministra.

Acrescentou que esta foi “a grande lição” que o projeto de candidatura da cidade de Mbanza Congo a património da UNESCO, cujos trabalhos finais se fizeram coincidir com a celebração do dia da Cultura de Angola, já conseguiu transmitir.

“É pois esta cidade de história e de memória que nos enche de orgulho e de satisfação, cujos valores e símbolos somos chamados a preservar, valorizar e a transmitir às novas gerações e ao mundo, de forma a que continuemos imbuídos da nossa cultura e ciosos da nossa história”, sublinhou Rosa Cruz e Silva.

O centro histórico de Mbanza Congo, classificado como património cultural nacional desde 10 de junho de 2013, envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina e que se estende por seis corredores, incluindo ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos.

A versão preliminar do dossier de candidatura foi entregue à UNESCO em finais de setembro do ano passado. Segue-se a entrega final do projeto, com as observações feitas respeitadas, ainda este mês.

A ministra destacou ainda a necessidade do resgate dos valores “matriciais da angolanidade, da identidade cultural angolana, na sua diversidade, aos valores morais e aos valores cívicos”, face à preocupação aos efeitos da globalização, que “sem critério, muitas vezes é adotado” pela juventude.

NME // EL – Lusa/Fim

Fotos LUSA:

– Mulheres angolanas com roupas tradicionais durante a visita do Papa João Paulo II em 5 de junho de 1992. ACACIO FRANCO/LUSA

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