O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua deve reposicionar-se no mundo para atender às novas procuras de aprendizagem do português, “em explosão na Ásia e América Latina”, disse hoje o professor do ISCTE, José Paulo Esperança.

Coautor do estudo “O valor da Língua Portuguesa: Uma perspetiva económica e comparativa”, publicado pelo Observatório da Língua Portuguesa e Instituto Internacional de Macau, José Paulo Esperança participou em Macau, no seminário “Língua Portuguesa – Afirmação e valor”.

“O Instituto Camões tem tido um posicionamento muito centrado num conjunto de países onde os leitorados, e as diversas distribuições do ensino de português não correspondem às novas procuras, ou seja, há um peso muito grande na Europa, quando na realidade a procura da língua portuguesa hoje está em explosão, por exemplo, neste parte do mundo (Ásia)”, disse à agência Lusa.

Para José Paulo Esperança, “urge redesenhar” a presença daquele instituto na Ásia e América Latina, onde “o interesse pelo português é crescente”, e é sentida a falta de professores.

“A América Latina é outra zona onde o ensino de português está muito desfalcado. As crianças na Argentina e no Uruguai, por exemplo, aprendem português primeiro do que inglês. A primeira língua em vários países do Mercosul é o português, portanto, também aí há uma escassez de oferta que é importante resolver”, acrescentou.

José Paulo Esperança reconheceu, porém, que o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua “é uma máquina grande, hoje também com dificuldades financeiras” e que “mudar tem custos, inclusivamente económicos”.

“Mudar para outros países significa suportar esforços maiores, rendas, recrutamento e para as pessoas também não é cómodo, mas era importante que houvesse uma reorganização, quer do Instituto Camões, quer de outras entidades de promoção do Comércio e do Investimento, nomeadamente a AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal] e outras estruturas”, adiantou.

O académico frisou ainda a importância de “trabalhar em conjunto e em articulação com as empresas, com as multinacionais”, incluindo as portuguesas que começam a surgir “e que podem ajudar muito nessa matéria”.

“E julgo que seria importante também haver uma maior cooperação com outros países lusófonos, nomeadamente com o Brasil e também com Angola e Moçambique no sentido de articular melhor estes esforços de promoção da língua e até pedindo-lhe para colaborarem no esforço económico”, acrescentou.

Para o investigador, “alguma deslocalização poderia fazer sentido, numa perspetiva de eficiência talvez pudesse significar alguma redução de atividade nuns pontos para reforçar noutros”.

“É provável que seja necessário, é sempre doloroso”, rematou.

FV.

Lusa/Fim

 

 

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