Para Seixas da Costa, a língua portuguesa “está em regressão” na União Europeia (UE), uma situação que também é comum a um conjunto de outras línguas “que se afastam das línguas matriciais de trabalho, o inglês, o francês e o alemão”.

Na UE, o português continua a ser uma língua oficial, utilizada nos conselhos de ministros e nos documentos oficiais, mas “manifestamente por uma questão de eficácia vai começar a ser cada vez menos utilizada”, afirmou o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus.

Seixas da Costa, que é atualmente diretor do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, falava no I Congresso Internacional de Língua Portuguesa, num painel intitulado “Implementação e desenvolvimento da língua portuguesa nas organizações internacionais”, uma iniciativa da Universidade Lusíada e do Observatório da Língua Portuguesa, que decorre até quinta-feira em Lisboa.

Depois de ter sublinhado que a expressão da língua no quadro internacional tem muito a ver com a expressão dos países que a utilizam, o diplomata afirmou que o Brasil “é de todos os países de língua portuguesa aquele que tem no quadro mundial um sentido ascendente de afirmação”.

“O Brasil é o país que nos pode oferecer maior esperança relativamente à promoção da língua portuguesa”, apontou, acrescentando que estão a ser criadas condições para que esse país assuma um papel de defesa da língua que “foi solitariamente assumido por Portugal durante muitos anos”.

Seixas da Costa, que foi embaixador de Portugal em Brasília, referiu ainda que que a possibilidade de o Brasil vir a ser membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, poderá dar maior visibilidade ao português, mas acrescentou que tem algumas dúvidas quanto a “um consenso fácil” para que haja mudanças nesse órgão das Nações Unidas.

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