7 March 2021
Cada vez que eu falo português com os meus filhos (e eu tento só falar português) e eles respondem em inglês, sinto uma tristezinha lá no fundo do peito. Aí me pergunto: digo que não entendi e peço para repetir em português ou deixo passar em inglês mesmo para seguir o papo?

Bilinguismo, o dilema diário

– Max, por favor apaga a televisão meu amor? Já chega por hoje.

– Nooooo. But moooom it just started a new show and I didn’t watch enough TV today.

– O que? Não entendi.  Diz em português por favor?

– Mamãe posso ver TV… just mais um pouquinho, só um pouquinho pleasseee?

Cada vez que eu falo português com os meus filhos (e eu tento só falar português) e eles respondem em inglês, sinto uma tristezinha lá no fundo do peito. Aí me pergunto: digo que não entendi e peço para repetir em português ou deixo passar em inglês mesmo para seguir o papo?

Eis o meu dilema diário do bilinguismo.

Parte minha acha que eu deveria insistir mais e outra sente que a insistência está interferindo na minha comunicação com os meus filhos de 3 e 6 anos, agora que já são capazes de se expressar em frases completas (em inglês). As interrupções não permitem que as nossas conversas fluam, impedem que a gente compartilhe informações e até mesmo grandes emoções.

Entre pedir para repetir, traduzir e corrigir vai o entusiasmo da criança de contar algo que naquele momento era muito importante para ela. E eu perco a oportunidade de receber e ensinar algo, de dar um elogio ou uma boa gargalhada com eles.

Oliver (3) participando da turma Ararinhas

 

Meus filhos nasceram em NYC e agora moramos em Miami. Eu sempre tive babá brasileira e os dois estudaram português na Ciranda Cirandinhas. O meu filho de 6 anos foi alfabetizado enquanto estava no pré-primário. Porém meu marido é sul-africano e o inglês predomina na minha casa. Minha atual estratégia é dar prêmios para que falem somente português quando estivermos sozinhos ou em casa e ter um horário semanal para estudar – estou explorando opções de materiais para dar as aulas em casa. Fora isso me resta dar oportunidades para que pratiquem através da leitura, desenhos animados no You Tube, convívio com familiares e amigos, etc. Ler o artigo completo

 

Por Andrea Abrahamson no Quadro Perfil e Opinião

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