A Biblioteca reparte-se, actualmente, por dois edifícios: a muito visitada Biblioteca Joanina, acabada de construir em 1728, a mando de D. João V, e o mais discreto edifício principal, do Estado Novo, que entrou em pleno funcionamento no ano de 1962.

Sabe-se que a biblioteca terá nascido em Lisboa, antes da transferência definitiva da Universidade para Coimbra. Quando, não é certo.
Na Casa Forte

Há quem fale do toque, do peso e do cheiro do papel ou do pergaminho. O director adjunto da BGUC diz que os anos que já passou em bibliotecas e o pouco tempo que lhe resta para ali desfrutar dos livros o fazem ter uma perspectiva mais utilitarista das obras. Por exemplo: quando fala dos 500 documentos que serão digitalizados este ano (não se sabe ainda com que dinheiro), demora-se na referência à possibilidade de os investigadores tropeçarem, na Web, nos Códices de D. Flamínio, “um conjunto de imensa documentação memorialista, de uso pessoal, à mistura com papéis genealógicos e notícias da Carreira da Índia, onde se encontram, por exemplo, referências ao embarque de Luís Vaz de Camões”.
O ex-director da BGUC que promoveu a digitalização de 8000 documentos do fundo antigo, Carlos Fiolhais, entusiasma-se, também, quando fala das possibilidades criadas pelas bibliotecas digitais. “Veja-se o fundo de Armando Cortesão, com 50 anos, que saiu directamente de um cofre para o mundo e que agora é de todos nós”, comenta. José Augusto Bernardes elogia a tenacidade do antecessor e a própria biblioteca digital que ele lançou, mas suaviza o discurso, preocupado com quem “considera que a digitalização dos documentos dispensa que se invista na conservação, no tratamento e no restauro dos livros”.
“Mesmo no meio académico, há quem me critique quando peço espaços alegando que o digital não ocupa as estantes”, lamenta. Também Maia do Amaral faz questão de sublinhar que “nunca o digital poderá substituir o códice”.
Dias mais tarde, no seu gabinete, o director adjunto há-de servir de guia numa visita virtual até uma das obras que mais curiosidade despertam a quem ouve falar na BGUC. “Vá à página do Google e escreva alma mater. Entre os primeiros resultados da pesquisa aparece a Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, certo? Abra a página. À esquerda, escolha “índices gerais”; seleccione a opção “datas”, depois clique sucessivamente em “começados por” 1500, “década de” “1570” e “1572”. Ora aí está ela, a primeira edição d”Os Lusíadas“, indica.
No monitor do computador vê-se a folha de rosto de um dos cerca de 30 exemplares que existem da primeira edição da obra de Luís de Camões. Em cima, o pelicano com a cabeça virada para a esquerda do leitor prova que não se trata da edição contrafeita; em baixo, no fim da página pode ler-se: “Impresso em Lisboa com licença da Santa Inquisição e do Ordinário, em casa de António Gonçalves, Impressor.”
A visita virtual àquele exemplar de Os Lusíadas é o máximo a que a maior parte das pessoas pode aspirar. O livro está guardado no sítio mais seguro e inacessível da biblioteca, a Casa Forte, um espaço semicircular forrado a aço, com dois andares de prateleiras vulgares, metálicas, onde estão as obras mais valiosas. O director da biblioteca assegura que não conhece o segredo que permite abrir a porta. Ler o artigo completo.

 

FOTOS: ADRIANO MIRANDA – A primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, foi mostrada durante a visita guiada.

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