Paris, 07 nov (Lusa) – O guineense Nú Barreto, o angolano Franck Lundangi, o são-tomense René Tavares, o moçambicano Gonçalo Mabunda e o cabo-verdiano Tchalé Figueira, participam na exposição Lumières d’Afriques (Luzes de África), em Paris, até 24 de novembro.

A mostra, inaugurada esta semana no Théâtre National de Chaillot, reúne 54 artistas do continente africano, um por cada país, num projeto inédito em que cada um foi convidado a criar uma obra a partir do tema Afrique des Lumières (África das Luzes).

O projeto nasceu do fundo African Artists for Development que quis sensibilizar o público para a questão da energia em África, algumas semanas antes da 21.ª Conferência do Clima (COP21) que se realiza em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro.

“Quisemos fazer uma exposição sobre a África das Luzes, o que no sentido literal é uma alusão à energia e no figurado ao Século das Luzes, ou seja, à luz interior de cada artista”, disse à Lusa Jean-Michel Champault, o diretor artístico de um projeto que acredita que o século XXI vai ser “o Século das Luzes de África”.

Para representar a Guiné-Bissau, foi convidado Nú Barreto, o artista plástico que vive em França desde 1989 e que realiza telas nas quais denuncia “as dores e os gritos” do continente africano, como a miséria e a opressão.

Nú Barreto apresenta a obra “Sukuro” (Escuro) que começou a realizar durante a noite para ser confrontado com “as dificuldades da falta de luz, aquilo que se vive na Guiné e a que já se está habituado”, explicou à Lusa.

“Eu parti do princípio que devia trabalhar a luz em duas formas: luz como energia e luz como revelação, razão pela qual as personagens estão com as cabeças levantadas para o ar”, descreveu, acrescentando que quis retratar “por um lado a dificuldade de não ter [eletricidade] e por outro a facilidade que a luz oferece” para realizar coisas que se necessita.

O artista recém-chegado de Macau, onde teve patente uma exposição na Galeria de Exposições Temporárias das Casas Museus da Taipa, acrescentou que “a importância de estar nesta exposição é ajudar os outros a gritar as dores” como “essa falta de energia que a África tem”, sublinhando que, nesse aspeto, “a Guiné obviamente é um dos países que – se não é pior – faz parte dos piores”.

Nú Barreto

Nú Barreto

Para representar Angola, foi convidado Franck Lundangi, o artista que vive em França há 25 anos, e que criou um quadro feito com colagens e guache intitulado “O direito ao acesso à energia equitativa”.

“Quis interpelar as consciências. A minha obra representa um ícone que tem, na mão direita, um manifesto onde reivindica que todos temos o direito à energia. Nos pés, tem uma personagem, um africano, que não tem eletricidade em casa e que utiliza uma vela para tentar escrever. A energia é muito importante para o conhecimento”, descreveu Franck Lundangi.

Lundangi nasceu em 1958 na província do Uíge, mas por causa da guerra cresceu no antigo Zaire e só voltou temporariamente a Angola em 1986 graças ao futebol, a profissão que o levou até França em 1990. Foi como futebolista em fim de carreira que redescobriu o gosto pelas artes plásticas e se converteu a uma vida artística que levou as suas obras a várias partes do globo, nomeadamente com a exposição itinerante ‘Africa Remix’ entre 2004 e 2007.

Quanto aos outros representantes afrolusófonos na exposição, o são-tomense René Tavares apresenta duas fotografias da série “The Next Future” em que se veem duas pessoas retratadas numa lixeira, enquanto o moçambicano Gonçalo Mabunda expõe um quadro feito de metal e de armas recicladas intitulado “The Light at the End of the Tunnel” e o cabo-verdiano Tchalé Figueira apresenta uma tela figurativa intitulada “The Future”.

A exposição Lumières d’Afriques vai ser apresentada, durante a Conferência do Clima, na Gare du Nord, em Paris, estando depois agendada para a Costa do Marfim no primeiro trimestre de 2016, antes de viajar para outros países do continente africano, europeu e para os Estados Unidos.

CAYB // VM – Lusa/Fim
Franck Lundangi

Franck Lundangi

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