1 March 2021
A Casa de Cultura de Paraty ficou lotada para receber o Slam da Língua Portuguesa, uma iniciativa do Museu da Língua Portuguesa, parte da programação da Flip+

Artistas de Portugal e Cabo Verde conquistaram o público em batalhas de poesia falada na Flip

Paraty, Brasil, 13 jul 2019 (Lusa) – A portuguesa Raquel Lima e o cabo-verdiano Edyoung Lennon mostraram que a arte ultrapassa línguas e diferentes sotaques durante batalhas de poesia oral realizadas na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), no Brasil.

Adeptos do Slam, nome dado às disputas de poesia falada que começaram na década de 1980, apresentaram-se numa tenda aberta com ‘slammers’ do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa, e também na Casa de Cultura de Paraty, cidade localizada no estado brasileiro do Rio de Janeiro.

Em entrevista à agência Lusa, Raquel Lima explicou que estar na Flip foi uma oportunidade de mostrar o que é o Slam para um público mais amplo.

“Estar na Flip foi uma oportunidade de tirar o Slam deste registo mais à margem, mais da periferia e trazer para um contexto mais conservador”, disse a também investigadora do Programa de Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

“A Flip sendo uma festa literária com tantos anos, sempre construída a volta de um cânone sobre o que é literatura, abriu espaço e nós entramos aqui com o uma abordagem mais dissidente e mais subversiva sobre o que é poesia”, acrescentou.

Já Edyoung Lennon avaliou que a incorporação das batalhas poéticas no evento literário mais importante do Brasil veio dar uma contribuição.

“A Flip, nas pesquisas que eu fiz, sempre foi uma feira muito elitista. O Slam veio quebrar alguma coisa aqui e construir uma coisa nova, um novo conceito, porque é uma mistura de tudo, de literatura periférica, da escrita clássica, da escrita urbana. Acho que isto contribui porque enriquece a cultura”, salientou o ‘rapper’, poeta e ‘slamer’ cabo-verdiano, elemento da banda de hip hop Detroit Kabuvernianu.

Lennon lembrou que, embora ainda seja considerado um tipo de arte alternativa, as batalhas de poesia falada conquistaram espaços em todo o mundo.

“Já se criaram redes para ‘slammers’ ao redor do mundo (…) A narrativa do Slam é muito interessante porque fala de um contexto global. Apesar de falar muito sobre a narrativa negra”, afirmou o artista cabo-verdiano.

A portuguesa Raquel Lima também destacou que, embora o grande público não tenha muito contacto com o Slam, já existem redes de artistas dentro dos países de língua portuguesa, que colaboram para a expansão desta arte.

“Há muitas redes [de ‘slammers’] entre Brasil, Portugal, Moçambique, São Tomé e Princípe e Angola. Só na minha experiência de dez anos, conheci a Elisangela Rita, de Angola, o Patrick Neto e o Edyoung, de Cabo Verde (…). Não tenho qualquer dúvida de que o Slam é uma plataforma de união e de mobilidade dos artistas no espaço da Lusofonia.”

Raquel Lima avaliou que o Slam também está a estreitar o contacto das pessoas com a poesia.

“Não é o escrito que determina o que é um poeta consagrado. Tu percebes que há uma coisa que passa pelo teu corpo, pela performance, pela voz e que também muda o próprio ambiente e o público”, sublinhou.

“O Slam é um espaço participativo. O público vota, o público grita, ou seja, há [no Slam] uma mudança não só do que é o autor, mas também do que é o espectador (…) A oralidade é uma forma de ser, de fazer e de viver a poesia”, concluiu.

A Flip, principal encontro literário no Brasil, é um evento anual que reúne escritores, músicos, investigadores, professores e intelectuais de diferentes áreas da cultura. A edição de 2019 terminará neste domingo.

CYR // MIM/MAG – Lusa/Fim

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