8 March 2021
António Lobo Antunes, autor da obra “Não é Meia Noite Quem Quer”, que é apresentada hoje em Penafiel, admitiu que, entre os seus livros, ser este aquele de que gosta mais.

António Lobo Antunes admite que livro a apresentar hoje em Penafiel é o de que gosta mais

“Gostei muito de o escrever. Foi um milagre para mim. É aquele de que gosto mais”, afirmou, em conferência de imprensa realizada no âmbito do festival literário Escritaria.

António Lobo Antunes, que é homenageado até domingo neste este festival, vai lançar hoje à noite o seu mais recente livro, contando com a apresentação de Ana Paula Arnaut.

Comentando aos jornalistas a obra “Não é Meia Noite Quem Quer”, o escritor admitiu ter a impressão de que as páginas “falam de si próprio a tempo inteiro”.

“Lido com atenção, descobre-se o autor em cada linha, do princípio ao fim do livro. É espantosamente autobiográfico”, disse, prosseguindo: “O que eu queria era fazer um livro que corresse como água. Quando estava a corrigi-lo, dei-me conta de que estava a fazer um autorretrato interior”.

Para o escritor, a obra “foi um milagre e parecia água a correr”.

“Estava a escrever com as lágrimas a caírem-me, não porque o livro fosse triste ou alegre, mas porque era a frase certa, aquilo que o livro queria dizer”.

Aos jornalistas presentes no Museu Municipal de Penafiel, onde decorreu a conferência de imprensa, o autor recordou o que sentiu quando escreveu o livro.

“Tinha certeza que me estava a ser ditado e que a mão, por vezes, não conseguia correr com a velocidade com que a voz me ditava. A voz daquela mulher que preenche o livro todo foi-me ditada”, disse, pausadamente, anotando ainda:

“Estou muito grato ao livro por se ter escrito sozinho dentro de mim. Um homem não se torna escritor, um escritor é que se torna homem, às vezes. Então começa a ditar-lhe as coisas. Eu gostei muito do livro. Foi um puro milagre para mim, não sei explicar de onde é que o livro veio”.

Antes da conferência de imprensa, António Lobo Antunes conheceu alguns elementos de arte pública, em sua homenagem, colocados nas artérias de Penafiel, incluindo uma frase sua, com letras em metal, num muro da praça do município.

O programa do festival literário inclui conferências e debates sobre a obra de António Lobo Antunes, que vão decorrer até domingo no auditório do Museu Municipal de Penafiel.

As ações contarão com a participação de personalidades portugueses com ligação ao autor, como Eduardo Lourenço, Miguel Veiga, Fátima Campos Ferreira, Maria Alzira Seixo e Mário Crespo.

Para os trabalhos, a organização também convidou Mário Soares e Daniel Sampaio.

No rol de participações anunciadas para o Escritaria, contam-se ainda personalidades estrangeiras, entre as quais Maria Luisa Blanco, diretora editorial do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Igacio Echevarría, editor literário do jornal El País, escritor e ensaísta espanhol, Dominique Bourgeois, editora e jornalista francesa, e Jeff Gordon Love, professor universitário norte-americano especializado na obra de Lobo Antunes.

O programa também contempla a entrega do prémio de jornalismo “Escritaria” e a apresentação do livro “Escritaria, Mia Couto vida e obra”, por Zeferino Coelho.

Nas anteriores edições do Escritaria foram homenageados os escritores Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís e Mia Couto.

APM. // MAG.

Lusa/Fim.

Foto: LUSA – António Lobo Antunes discursa após ter recebido o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Lisboa, durante a cerimónia de comemoração do 100º aniversário daquela universidade , 21 de março de 2011, Lisboa. TIAGO PETINGA/LUSA

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