5 March 2021
António Grassi, o comissário-geral do Ano do Brasil em Portugal, disse que o evento “está a superar as expectativas” mas que a avaliação do seu sucesso só poderá ser feita após o seu término.

Ano do Brasil em Portugal “supera expectativas”

“O nosso grande desafio é esse, saber o que vai acontecer a partir do dia 10 de junho, quando se encerra o Ano do Brasil em Portugal”, afirmou à agência Lusa. “É com o que vai acontecer a partir daí que nós podemos dizer se o ano foi bem-sucedido, ou não.”

Para já, o comissário-geral acredita se têm criado “muitas oportunidades de intercâmbio através das companhias e produções brasileiras aqui em Portugal” e que se conseguiu “trazer um olhar e uma descoberta do brasileiro sobre Portugal” e “mostrar uma nova faceta do Brasil aos portugueses, para além das telenovelas”.

António Grassi esteve no Porto numa altura em que decorre “O ano do Brasil no Teatro Nacional de São João” com cerca de 30 espetáculos, entre teatro e dança até dia 10 de junho. O evento está dividido nos ciclos “infanto-juvenil”, “dança, música e novas linguagens”, “teatro cinema e literatura”, “FITEI” e “Nelson Rodrigues”.

Este último ciclo, baseado na obra de um dos mais importantes dramaturgos brasileiros é um dos orgulhos de António Grassi: “Era uma seleção que estávamos perseguindo muito, como figura muito importante na dramaturgia brasileira. Apesar de ser sempre sendo taxado de reacionário, porque teve posições muito dúbias durante a ditadura, a sua obra é absolutamente revolucionária porque mostra o cidadão, o ser humano de uma maneira muito profunda”.

António Grassi destaca que esta vais ser “uma mostra muito forte” até pela diversidade das companhias presentes e pelo fato de virem ao Porto “montagens que no Brasil que foram muito consagradas”.

A dois meses do final da iniciativa o comissário-geral garante que “está a superar as expectativas, tanto em relação ao número de espetáculos e eventos que se conseguiu trazer, como principalmente a recetividade do público português até em alguns tipos de eventos mais ligados à experimentação”.

Sobre a polémica sobre o acordo ortográfico o brasileiro confessa que percebeu o” incómodo” que estava criado, mas considera que a polémica “acabou por passar ao largo” do Ano do Brasil em Portugal.

“Hoje passam milhares de brasileiros pelo aeroporto de Lisboa, dizem que 900 mil, que não descem o que é um absurdo”, concluí António Grassi, para quem “Portugal é um país fascinante para os brasileiros e a cultura é fundamental para fazer esta aproximação”.

António Grassi, ator, ex-secretário de Cultura do Rio de Janeiro, lembra que “no início, a adesão de Portugal à União Europeia deixou meio de costas voltadas” os dois países mas que “agora é o momento de Portugal nos estar a olhar mais”.

Um pouco, confessa, como faz o resto do mundo “que quando fala do Brasil abre logo um sorriso e tem uma simpatia imediata e isso é uma conquista que é muito importante”.

 

DP // MSP – Lusa/fim

Foto: Espetáculo teatral “Gigantes pela Própria Natureza”, um dos eventos de lançamento da iniciativa Ano do Brasil em Portugal que até junho de 2013 pretende lançar um olhar renovado sobre o Brasil atual, Lisboa, 23 de setembro de 2012. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

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