26 February 2021
A língua oficial em Angola é o português, falada, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, por 85 por cento da população, com maior predominância para a população residente nas áreas urbanas.

Angola vai avaliar nível de aprendizagem das línguas nacionais

O Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE) de Angola, que entrará em vigor ainda este ano, envolverá uma avaliação à aprendizagem das várias línguas nacionais no país.

A informação consta do despacho presidencial que criou, a 20 de fevereiro, a comissão interministerial responsável pela elaboração deste plano, também designado de “Educar Angola 2015-2025”, integrando 18 ministros e outros elementos representantes de órgãos do Governo angolano.

O plano, de acordo com o documento, assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, visa reforçar a incorporação no sistema de ensino, das ações de formação profissional e politécnica, desporto, cultura, educação patriótica, cívica e cidadania, ciência e tecnologias de informação.

“Diagnosticar o nível da aprendizagem das línguas nacionais” consta das várias atribuições desta comissão, responsável pela implementação do “Educar Angola 2015-2025”.

A língua oficial em Angola é o português, falada, segundo o Instituto Nacional de Estatística angolano, por 85 por cento da população, com maior predominância para a população residente nas áreas urbanas.

Entre as cerca de uma dezena de línguas nacionais angolanas, o umbundo é o mais falado (29%), seguido do kimbundu (10%) e do kikongo (9%).

O investigador angolano de linguística Bonifácio Tchimboto afirmou em setembro, em Luanda, que a “carga negativa” do tempo colonial associada à utilização das línguas nacionais ainda persiste em muitas famílias de Angola, que preferem que os filhos aprendam apenas português.

Para o especialista, que falava então no terceiro Congresso Internacional de Língua Portuguesa, promovido pela Universidade Jean Piaget de Angola, a aprendizagem das línguas nacionais pode assim estar comprometida.

Muitas famílias receiam que o tempo necessário para aprender a segunda língua, nacional, influencie as restantes atividades dos mais novos, optando apenas pelo idioma oficial.

Além disso, recordou o especialista, para muitos angolanos ainda persiste a lembrança da placa de madeira com a inscrição “burro”, colocada aos estudantes mais novos apanhados na escola, no tempo colonial português, a falar umbundo.

“Essa carga pesada sobrevive ainda hoje na cabeça de muitos. Temos entre os nossos concidadãos aqueles que olham para o bilinguismo como um defeito, que a competência em duas línguas é um defeito”, defendeu Bonifácio Tchimboto.

Sublinhou, por isso, que se na altura do tempo colonial português “a luta era tentar evitar falar umbundu a todo o custo”, hoje, “em público, muitos dizem que não se deve usar a língua africana”.

Na mesma ocasião, o ministro da Educação de Angola, Pinda Simão, – que vai coordenar a comissão interministerial responsável pela implementação do PNDE – garantiu que a aprendizagem das línguas nacionais nas escolas é um processo que está em curso e que já conta com material pedagógico elaborado.

“Mas é preciso encontrar professores para ensinar as línguas nacionais. A dificuldade é a esse nível, estamos a equacionar soluções”, disse o governante.

Entre outras ações, a comissão responsável pelo “Educar Angola 2015-2025” terá a missão de desenvolver um estudo sobre a presente situação do sistema educativo nacional, que conta com mais de seis milhões de estudantes, nos vários níveis de ensino, tendo como “enquadramento” a reforma do mesmo, nomeadamente em termos de “capacitação e motivação permanente de professores e outros quadros da educação” e na instituição de um sistema de avaliação de docentes e alunos.

Deverá ainda elaborar programas de ação e propor novas áreas programáticas em função das novas tecnologias de informação e comunicação, bem como no ensino à distância, entre outras áreas de intervenção.

PVJ // VM – Lusa/Fim

Fotos:

– Uma professora dá aulas com o filho às costas. 12/02/2007. Angola/Huambo: CIC, sonhos que se vêem. PAULO NOVAIS/LUSA

– O povo San, uma minoria etnica que vive no sul de Angola, sao reconhecidos como os mais antigos habitantes do territorio angolano. FOTO FRANCISCO RIBEIRO/LUSA

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