Maputo, 21 out (Lusa) – A multinacional norte-americana Anadarko vai avançar com o projeto de produção de gás natural no norte de Moçambique, afirmou hoje o seu vice-presidente, John Grant, assinalando a complexidade deste tipo de empreendimentos.

“Posso dizer que caminhámos meio caminho e com a ajuda do Governo (moçambicano), podemos avançar a outra metade”, disse Grant, aos jornalistas, após se encontrar com uma delegação do executivo moçambicano, chefiada pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário.

Sem indicar datas para o início da construção da infraestrutura de produção de gás natural, Grant apontou que a Anadarko e o Governo registaram progressos nos aspetos legais e técnicos relacionados com a implementação do projeto.

“Tivemos conversas construtivas sobre o reassentamento das famílias [residentes na área do projeto] e reiteramos o nosso compromisso firme de que o reassentamento deve ajudar e promover o progresso social das comunidades”, afirmou o presidente da Anadarko, que lidera um consórcio que descobriu grandes reservas de gás natural no norte de Moçambique.

John Grant sublinhou que a complexidade de projetos de exploração de recursos energéticos aconselha a que não se tomem decisões à pressa, que podem resultar em erros irreversíveis.

Por seu turno, o presidente do Instituto Nacional de Petróleo de Moçambique, entidade que regula o setor de hidrocarbonetos no país, Carlos Zacarias, também declarou que estão criadas as condições legais e técnicas para que se inicie a fase de desenvolvimento do projeto de produção de Gas Natural Liquefeito (GNL).

“É necessário acautelar os procedimentos que terão de ser seguidos para a a implementação do projeto, mas todas as partes sentem que estamos próximos do objetivo final, que é começar com a atividade”, frisou Zacarias.

A Anadarko lidera um consórcio que descobriu grandes reservas de gás natural na bacia do Rovuma, norte de Moçambique, e está a preparar-se para construir uma fábrica de produção de GNL.

Um outro consórcio liderado pela italiana ENI, que inclui a portuguesa Galp, também ganhou uma concessão de gás natural na referida região, estando a finalizar a mobilização do financiamento necessário ao desenvolvimento do projeto de produção de GNL.

Citado hoje pelo jornal O País, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), empresa que gere as participações do Estado moçambicanos no setor, Omar Mithá, disse que a norte-americana Exxon Mobil está perto de chegar a acordo com a ENI para a compra de uma parte de ações da Área 4.

“Ainda não há precisão, mas garanto que a Exxon Mobil não terá uma posição minoritária. Pelo menos estará em igualdade com outro parceiro”, afirmou Mithá.

PMA // APN – Lusa/Fim
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Fotos extraídas do sítio da Anadarko
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