Vancouver, Canadá, 03 nov (Lusa) – A presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Ana Paula Laborinho, disse hoje à agência Lusa, no Canadá, que a aprendizagem do português tem que ser feita cada vez mais como ferramenta para a mobilidade e cidadania global.

“É fundamental pensarmos uma campanha que possa mostrar que a língua, para além das razões identitárias que são da maior importância, a aprendizagem do português tem que se fazer cada vez mais como uma ferramenta útil para uma mobilidade e cidadania global, que cada vez mais temos a necessidade de fomentar”, afirmou Ana Paula Laborinho.

A presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua falava em Vancouver, na costa oeste do Canadá, na quarta-feira, acompanhada pelo secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, antes de seguirem para S. Francisco, nos Estados Unidos, numa visita oficial à América do Norte.

A responsável reconheceu que em Vancouver há, de facto, “uma diminuição do interesse na língua portuguesa” por parte dos lusodescendentes, que em muitos casos já são da “terceira geração”.

Ana Paulo Laborinho disse que “importa contrariar a tendência de ainda não haver essa ideia da importância internacional da língua portuguesa”.

“Importa também formar professores locais, e daí é relevante o contato com as universidades, que de facto essas universidades possam manter relações com as universidades portuguesas, até de mobilidade estudantil e académica, porque tudo isto formará um ecossistema que permitirá desenvolver a língua portuguesa no Canadá”, sublinhou.

Durante a sua visita ao Canadá, Ana Paulo Laborinho também sugeriu a criação de um Centro de Língua Portuguesa na Universidade em Otava, algo que espera “que se venha a concretizar no próximo ano”.

Esta parceria não vai ficar apenas pela língua portuguesa, mas também será através da “cooperação no domínio científico mais alargado”, adiantou.

“Levamos cada vez mais às universidades com as quais o Instituto Camões colabora a informação do que se faz no domínio da ciência”, frisou.

Explicando que Portugal retomou “fortemente a aposta na ciência”, Ana Paula Laborinho deu como exemplo a resolução recente de uma reunião do conselho de ministros que atribui também ao Instituto Camões em cooperação com o ministério do Ensino Superior e da Ciência “responsabilidades numa diplomacia cientifica”.

Na sua primeira visita à região canadiana, Ana Paula Laborinho encontrou-se com representantes da Universidade da Colúmbia Britânica, onde também já existe o ensino do português. Neste caso o Instituto Camões “não está presente”, mas abriram-se portas para uma futura colaboração.

Antes de Vancouver, a presidente do instituto responsável pela promoção da língua e cultura portuguesa no exterior esteve em Otava e em Montreal.

No dia 28 de outubro, em Toronto, na Escola Primária St. Anthony foi assinado entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o Conselho Escolar Distrital de Toronto (TCDSB) um protocolo de apoio financeiro aos cerca de 3.400 alunos que estão na aprendizagem do português. Foram também distribuídos manuais escolares.

De acordo com os censos de 2011, há 429 mil portugueses e lusodescendente no Canadá, 35 mil dos quais na Colúmbia Britânica.

SEYM // FV. – LUSA / FIM
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