25 February 2021
Alunos da Escola Portuguesa de Macau encheram hoje um auditório para conhecer o escritor angolano José Eduardo Agualusa, autor de obras e textos que estudam e admiram como "A Girafa que Comia Estrelas".

Alunos da Escola Portuguesa de Macau conheceram criador da “Girafa que comia estrelas”

Os alunos do ensino primário foram os mais entusiastas no encontro com o escritor angolano, promovido pelo Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Com os olhos a brilhar, ocuparam as primeiras filas da plateia e, sem esconder a admiração por Agualusa, todos queriam fazer perguntas e conhecer melhor o criador de Olímpia, a girafa que andava sempre com a cabeça nas nuvens.

Com um ritmo semelhante a uma peça de teatro ensaiada, os alunos do 2.º ano do ensino primário da Escola Portuguesa de Macau partilharam, um a um, com aquele que dizem ser um dos seus contadores de histórias preferidos, o prazer que foi ler as aventuras de Olímpia e “conhecê-lo pessoalmente” e quiseram saber mais sobre o escritor, a sua origem e fontes de inspiração.

“Passeava pela savana na sua infância? A savana é verde no tempo das chuvas e como um campo de trigo no verão? Por que decidiu tornar-se escritor? Podemos tirar uma fotografia consigo?”, as perguntas e pedidos eram muitos e variados e a excitação escondia a vergonha.

Agualusa explicou que “ouvia os leões e via as girafas com frequência porque vivia perto do Jardim Zoológico” e que a sua casa “ficava na fronteira entre a cidade e a savana”.

“Sempre tive amor aos animais e, por isso, estudei agronomia, porque queria trabalhar com eles (…), mas arrependi-me, porque escrever é o melhor dos ofícios, não temos horário, não temos chefe, podemos trabalhar em casa”, disse.

O autor lembrou que começou a escrever na universidade, quando estudava agronomia em Lisboa, ao juntar-se a outros alunos africanos para o lançamento de uma revista cultural e que se tornou escritor “sem pensar muito nisso”.

“A minha mãe era professora de português e francês e em minha casa havia muitos livros. A principal razão por que alguém se torna escritor é porque gosta de ler. Ler bons escritores leva-nos a querer escrever”, acrescentou, apontando que “Os Maias”, de Eça de Queiroz, é uma das suas obras favoritas.

“Comecei a escrever para tentar compreender o mundo e a mim mesmo”, disse Agualusa, acrescentando que a literatura infantil surgiu nesse percurso quando esperava o primeiro filho e desafiado por uma amiga jornalista.

“No início hesitei, porque as crianças são mais inteligentes do que os adultos, mas comecei e foi como regressar à infância”, lembrou, salientar que a filha de oito anos “é a [sua] primeira leitora”.

Os alunos cantaram depois os parabéns atrasados ao escritor.

A sessão continuou com os mais crescidos, a quem Agualusa explicou que “escrever é um vício e que o melhor é que obriga a aprender, porque tem de se ler muito”.

“Sei como a história começa, mas não como termina, é como um jogo, escrevo para saber o fim, por isso é uma aventura”, disse.

Com mais de 30 obras publicadas, Agualusa, que também já escreveu letras para músicos angolanos, brasileiros e portugueses, como António Zambujo, chamou a atenção dos alunos para a importância dos livros, que “promoveram as grandes transformações do mundo”.

“Tudo começa pelo pensamento e literatura é pensamento. Os livros são territórios de pensamento”, concluiu.

PNE // VM

Lusa/Fim

MACAU – Escola Portuguesa de Macau,  14/11/2003,  MANUEL MOURA/LUSA

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