27 February 2021
Jovem espanhol aprende a escrever em português. Atividades desenvolvidas, em Badajoz, num acampamento de verão de jovens da Extremadura espanhola. Badajoz, Espanha, 22 de julho de 2010. NUNO VEIGA/LUSA

Aliança do português e espanhol

A ideia defendida à agência Lusa pelo investigador José Paulo Esperança está subjacente a uma das conclusões do estudo iniciado em 2008, que têm vindo a ser divulgadas, e entre as quais se destaca que a Língua Portuguesa representa 17 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal e quatro por cento da riqueza mundial.

O português é a língua de 250 milhões de pessoas, ao ser falada por 3, 7 por cento da população mundial, enquanto o espanhol e o inglês representam aproximadamente 400 milhões de falantes.

“Se fomentássemos a intercompreensão entre o português e o espanhol (…) era um melhor investimento como aprendizagem das duas línguas”, disse o coautor do estudo.

No Brasil e outros países do Mercosul, como a Argentina e Uruguai, está-se a apostar na aprendizagem do espanhol a seguir ao português e à frente do inglês, pelo que “é muito natural que se evolua para o domínio de ambas as línguas em simultâneo, e isso tem grandes vantagens económicas, porque sabendo uma língua, tem-se quase uma compreensão da outra”, continuou.

“Há muitas empresas espanholas que têm interesses no Brasil. O Banco Santander Totta já retira lucros muito elevados do Brasil, a espanhola Telefónica ficou com a VIVO, que foi vendida pela portuguesa PT, portanto, a presença de empresas espanholas no Brasil é muito forte”, enumerou.

Quanto às empresas portuguesas, apesar de “menos pujantes” no resto da América Latina além do Brasil, é provável que comecem a expandir-se um pouco nessa zona”.

Estudar o potencial económico da aliança das duas línguas da Península Ibérica na América Latina é, segundo José Paulo Esperança, um dos objetivos da próxima fase da investigação.

“Era muito interessante estudar o papel do português e do espanhol na América Latina, onde há de facto um país mais importante do que os outros que fala português – o Brasil – mas há um maior número de falantes de espanhol”, explicou.

Para responder num próximo estudo ficam questões como: “Qual é o grau de conhecimento no Brasil que existe de personalidades de língua espanhola e, em Espanha, de personalidades de língua portuguesa e de marcas, etc.”

Editado pelo Observatório da Língua Portuguesa e Instituto Internacional de Macau, o estudo sobre o valor económico da língua portuguesa foi encomendado em 2007 ao ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa), pelo Instituto Camões (atual Camões – Instituto da Cooperação e da Língua), e a primeira parte foi finalizada em 2008.

Depois de apresentado em Macau na quinta-feira, o estudo deverá ser lançado no Brasil, possivelmente até ao final do ano em cidades como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

FV. – Lusa/Fim

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