Portugal é um país maioritariamente católico e durante o verão realizam-se muitas festas religiosas de homenagem a santos que incluem uma procissão.

Essas procissões, ou cortejos, marchas ou passeatas de carácter comemorativo, saem geralmente da igreja e percorrem um determinado caminho predefinido. As pessoas que irão fazer parte da procissão começam por se reunir na entrada ou adro da igreja pois é de lá que irá sair o andor ou padiola ornamentada que geralmente carrega a imagem do santo ou personagem religiosa homenageada e que, portanto, lidera ou abre a procissão.

Quando a procissão começa no adro da igreja é o início de uma longa e, geralmente lenta, caminhada até chegar a um determinado destino. A expressão popular ainda a procissão vai no adro reforça a ideia de que uma determinada atividade está apenas a começar e não se sabe nem quanto tempo demora, nem qual será o desenlace final. Dessa descrição bastante literal de uma atividade que está prestes a começar e que irá demorar bastante tempo até ficar concluída, extrapolou-se o significado de algo que está apenas no seu início e prevê-se que o caminho a percorrer seja longo, como acontece nas procissões. A expressão também sugere que muita coisa tem de acontecer antes de se alcançar o objetivo ou meta. Eis alguns exemplos de uso:

— Quando é que acabas o teu doutoramento?
— Comecei este ano letivo, por isso a procissão ainda vai no adro…

— Já acabaste a tradução que estavas a fazer?
— Ainda me faltam 8 das 10 páginas que tenho para traduzir.
— Nesse caso, ainda a procissão vai no adro.

— Estas negociações vão ser difíceis e prolongadas.
— Como é que sabes??? Começaram ontem e a procissão ainda vai no adro. Com um pouco de sorte, fica tudo resolvido até ao fim do dia de hoje.

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