Para Paulo Neves, presidente do Instituto para a Promoção e Desenvolvimento latino-americano (IPDAL),  que organiza hoje o segundo encontro “Triângulo Estratégico: América Latina – Europa – África”, a Tap é o exemplo de uma empresa “que soube aproveitar a posição geográfica que Portugal tem”, transformando os aeroportos nacionais em plataformas para transporte de passageiros europeus para o Brasil, e vice-versa.

O Porto de Sines, adianta, pode ser uma nova plataforma, pois é o “mais próximo do Canal do Panamá, que vai transportar 30 por cento das exportações mundiais”, quando estiver concluída a sua ampliação, incluindo as originárias da China.

“Portugal é o país menos periférico de todos os países europeus, entre os africanos e latino-americanos. Estamos exatamente no centro e temos de saber tirar proveito da nossa posição geográfica”, disse à Lusa.

Para transformar o Atlântico “no grande oceano comercial do mundo” são necessários “bons acordos comerciais”, como o que Estados Unidos e Europa estão a negociar, mas também com o Mercosul e países africanos.

“A Europa vai ganhar e muito. São milhares e milhares de postos de trabalho que vamos criar”, adianta Neves.

Em particular, o acordo com o Mercosul, que a Europa “já está há mais de 10 anos para fazer” devido a pressão do ´lobby´ agrícola, seria “fantástico para Portugal na criação de emprego”.

O segundo encontro “Triângulo Estratégico” é organizado pelo IPDAL e a Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB), participando Feliciano Barreiras Duarte, secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Enrique Iglesias, secretário-geral da SEGIB, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, e diplomatas.

Durante o encontro vai ser apresentado o estudo “A triangulação no Espaço Atlântico”, desenvolvido para o IPDAL pela consultora Accenture, sobre a atividade comercial e principais investimentos neste espaço.

Para Paulo Neves, em altura de crise na Europa, o estreitamento da relação trilateral é uma potencial “solução para graves problemas” económicos, face a melhores perspetivas de crescimento dos mercados no hemisfério sul.

O responsável do IPDAL identifica entre as oportunidades para Portugal nestes mercados a construção de estradas, portos ou habitações, muitas delas financiadas por programas dos próprios governos e organizações como o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Entre as exportações que melhor se adaptam a estes mercados estão calçado, azeite ou vinho, e “Portugal está na moda na América Latina”, beneficiando nos últimos anos de uma duplicação das exportações para destinos como México ou Venezuela, e de boa imagem em países como a Colômbia, onde estão em curso investimentos importantes na distribuição, ou Peru.

Ambos os países serão visitado na próxima semana pelo presidente da República, com uma agenda em que os contactos empresariais são privilegiados.

Neves recomenda que as empresas interessadas se disponham a investir e a encontrar parceiros locais e a olhar para mercados pequenos e médios, como Panamá e República Dominicana, sobretudo se forem PME.

“Olhe-se para a América Latina toda, porque é nalguns destes pequenos e médios países que estão as grandes oportunidades”, afirmou.

PDF // APN – Lusa/Fim

Foto: Plataforma Continental de Portugal

close
Subscreva as nossas informações
Partilhar