6 March 2021
Aos 17 anos, Natália foi eleita por voto secreto chefe de turma na Escola Comercial de Maputo, na capital de Moçambique, numa iniciativa para inculcar nos alunos a importância de participarem ativamente na vida sociopolítica do país, 25 fevereiro 2012, Moçambique. ANTONIO SILVA/LUSA

Académicos moçambicanos querem ensino da história sem “amarras de um suposto passado libertador”

Maputo, 31 mar (Lusa) – Académicos moçambicanos ouvidos hoje pela Lusa defendem que o país precisa de adequar os processos de construção de conhecimento à realidade do povo e libertar o ensino da história das “amarras de um suposto passado libertador”.

“O país precisa de perceber que está em constante alteração e é importante que esta mudança seja acompanhada pela adequação do conhecimento à realidade do povo”, disse o académico moçambicano Guilherme Basílio, à margem da 7.ª Conferência da Oficina de História de Moçambique, uma associação de investigadores que promove a partilha de pesquisas em diversas áreas de conhecimento científico.

Para o académico, a nova era que se apresenta é “totalmente diferente” e, consequentemente, exige que o país perceba que o ensino não pode estar preso a uma narrativa linear e fechada.

“Temos de colocar nos manuais a nossa história e a nossa realidade”, frisou o professor universitário, lembrando que a história é feita por um sujeito em constante mutação e, por isso, deve ser sempre pensada como um “devir”.

A multiplicidade de fontes que caracteriza a época atual deve ser fortemente aproveitada na ótica do Guilherme Basílio, que, no entanto, alerta para necessidade de uma interpretação rigoroso e imparcial da história de um povo com um “passado rico”.

“É necessário adequar o passado ao nosso presente. Temos de evitar as amarras da história libertadora, na medida em que todos nós estamos hoje continuamente a libertar o país”, frisou.

Por sua vez, o diretor da Biblioteca Nacional de Moçambique, Jorge Jairoce, entende que qualquer mudança na forma como é concebido o ensino em Moçambique passa, primeiro, por um compreensão geral do que realmente é a era da globalização, considerando que este período “mexeu por completo” com a vida das pessoas.

“Nós, como moçambicanos, temos de analisar as dimensões da globalização e também quais são os seus efeitos”, alertou Jorge Jairoce, acrescentando que com o domínio destes dois pontos será possível revitalizar o ensino em Moçambique.

Esta medida, para Jorge Jairoce, abriria espaço para uma contínua atualização do conhecimento por parte dos professores, que seriam obrigados a atualizar constantemente os seus métodos de ensino para lecionar novos conhecimentos.

“Precisamos de disciplina, tanto na pedagogia como na pesquisa”, concluiu o diretor da Biblioteca Nacional de Moçambique.

Subordinada ao tema “Tendências Metodológicas de Ensino de História na Era da Globalização”, a 7.ª Oficina de História, organizada em cooperação com a Universidade Pedagógica (UP), reuniu historiadores, professores e estudantes na capital moçambicana, um projeto que acontece mensalmente e cujo principal objetivo é a partilha de pesquisas nas diversas áreas de conhecimento.

EYAC // PJA – Lusa/Fim

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