Numa entrevista, o presidente da ACH, Corsino Tolentino, investigador e sociólogo cabo-verdiano, indicou que a instituição foi criada a 07 de dezembro último e conta com 24 personalidades ligadas aos meios académico, cultural e científico do país.

Entre eles, além de Corsino Tolentino, figuram Onésimo Silveira, Germano Almeida, Leão Lopes, Corsino Fortes, Leão Lopes, Brito Semedo, Manuel Veiga, Waldemar Brito, Jorge Sousa Brito, Maria Odete Pinheiro, Amália de Melo Lopes, Nominanda Fonseca e Anete Felicidade Almeida.

“Procuramos ter em conta as dimensões de Cabo Verde e optámos pela recolha de dados e de recursos de forma a obter a maior eficiência. Daí termos proposto a ACH, com sede no Mindelo (ilha de São Vicente)”, disse Tolentino.

No seu entender, há a necessidade de existir um “referencial” que, vindo da sociedade civil, “obrigue ou empurre para um certo rigor” a gestão e o crescimento do Ensino Superior em Cabo Verde, bem como à investigação científica.

“Esse referencial terá de ser credível, da sociedade civil, não dependente do Estado e que tenha uma palavra a dizer na sociedade cabo-verdiana, pretensão que será reconhecida em função da qualidade dos trabalhos que vier a apresentar”, acrescentou.

Para o antigo ministro da Educação cabo-verdiano e também antigo diretor-geral da Fundação Calouste Gulbenkian, a ideia é levar a ACH a funcionar segundo os critérios internacionalmente aceites, “sem favores e sem contemplações”.

“Em termos proporcionais, temos em Cabo Verde uma massa crítica que justifica e suporta a criação da academia e, na diáspora, vários exemplos de competência que, se tiverem uma articulação adequada com as ilhas, contribuirá para um maior desenvolvimento dos recursos humanos, na linha da promoção do conhecimento como fator de desenvolvimento”, sustentou.

Questionado sobre se a existência, pela primeira vez, de mais estudantes universitários dentro do arquipélago do que fora ajudou a criar a ACH, Tolentino considerou que tal “teve peso”, sobretudo porque se está agora obrigado a pensar na capacidade de resposta das universidades e institutos superiores em relação à qualidade.

“Ajudou a galvanizar a ideia. Esse crescimento da massa estudantil no ensino superior leva-nos a pensar na capacidade de resposta, sobretudo de qualidade, das universidades e dos institutos superiores. É bom haver muita oferta de investigação, mas torna-se necessário saber como introduzir, de forma consistente, o fator qualidade no ensino superior em Cabo Verde”, concluiu.

JSD // VM.

Lusa/Fim

Foto: Arquivo da LUSA – Corsino Tolentino, Cidade da Praia, 14 de novembro de 1985 Acácio Franco / Lusa

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