1 March 2021
A China, enquanto potência que se abre cada vez mais ao exterior e que vai ter um papel cada vez mais relevante na comunidade internacional, elegeu Macau como uma plataforma para se ligar aos países de expressão portuguesa. (Rocha Vieira)

A vontade da China de partilhar o futuro com os países e povos de língua portuguesa.

Macau, China, 17 dez (Lusa) – As relações China/Portugal não seriam as mesmas se não tivesse existido Macau, disse o último governador do território, Rocha Vieira, sublinhando esperar que o país saiba aproveitar aquela plataforma para dar um “novo impulso” à cooperação bilateral.

“As relações entre a China e Portugal são boas, sinceras e baseiam-se numa vontade de cooperação e, naturalmente, que não seriam assim se não tivesse existido Macau na história das nossas relações”, disse Rocha Vieira à agência Lusa, em vésperas do 11.º aniversário da transferência do território para a China, realçando que as “relações bilaterais Lisboa-Pequim também não seriam as mesmas se não tivesse havido Macau”.

Ao salientar que a “China, enquanto potência que se abre cada vez mais ao exterior e que vai ter um papel cada vez mais relevante na comunidade internacional, elegeu Macau como uma plataforma para se ligar aos países de expressão portuguesa”, o ex-governador considerou que “Macau pode ser um veículo para reforçar as relações” Portugal/China.

“Quando aqui estive (em Macau) sempre defendi exatamente o que está a acontecer, que Macau podia ter um papel importante na ligação da China ao exterior, a Portugal e aos países de língua portuguesa”, referiu, constatando que “provavelmente hoje há melhores condições para isto ser executado”.
Para Rocha Vieira, a “vontade da China, em expansão, de partilhar o futuro com os países e povos de língua portuguesa, por razões óbvias”, constitui uma oportunidade que Portugal deve agarrar.
“Portugal, que sempre esteve ligado a África e tem uma ligação muito estreita com o Brasil não só em relação ao passado, mas em relação aos investimentos, pode ser um parceiro importante, bom e útil para ambas as partes”, disse.
Essa parceria, explicou, será benéfica para aproximar a China da lusofonia porque Portugal “conhece a cultura, a língua e as instituições (lusófonas), que a China não conhece tão bem”, mas também para o próprio país que “poderá, ao lado de um parceiro forte, aproveitar a presença em países africanos para desenvolver negócios”.
“Espero que com a importância que a própria China está a dar a Macau e às relações com os países de língua portuguesa, Portugal tenha também a oportunidade de dar um novo impulso às suas relações com a China e à capacidade de aproveitar as oportunidades que essa ligação oferece, nomeadamente na Europa e na lusofonia”, sustentou.
Rocha Vieira foi o último governador português de Macau, entre abril de 1991 e dezembro de 1999, tendo regressado este mês ao território pela segunda vez e num espaço de ano e meio para participar no Encontro das Comunidades Macaenses.
Macau, onde os portugueses se estabeleceram há cerca de 450 anos, foi integrado na República Popular da China a 20 de dezembro de 1999, segundo a mesma fórmula adotada em Hong Kong (“um país, dois sistemas”) e com idêntico estatuto (Região Administrativa Especial).
PNE.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

 

FONTE: Lusa

Fonte da imagem: Macau Antigo

Rocha Vieira e o 1º Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Edmundo Ho.

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