A maior alteração na ortografia da língua portuguesa, na variante lusoafricana é a supressão das consoantes mudas ou não articuladas, que não se pronunciam.

Quando há oscilação de pronúncia, aceitam-se as duas grafias. No entanto, não nos podemos esquecer que, tendo cada variante a sua pronúncia, deve seguir-se a respetiva grafia.

Deste modo, existem palavras que deixam de ser escritas com as sequências ‘cc’, ‘cç’, ‘ct’, ‘pc’, ‘pç’ e passam a ser escritas apenas com ‘c’, ‘t’ ou ‘ç’. Isso acontece, porque, nessas sequências, há consoantes que são mudas, ou seja, não são articuladas.

Apesar de toda a informação que vem sendo fornecida acerca deste assunto, há pessoas que continuam a confundir. Até se pode compreender os seus motivos, mas há que estar atento.

Há quem pergunte: «Se, no Brasil, escrevem ‘recepção’, por que motivo não poderei continuar a escrever como sempre escrevi: ‘recepção’?» É tudo uma questão de critério e o critério do AO é abolir as consoantes mudas. Ora, em Portugal, nós dizemos ‘receção’ e devemos escrever dessa forma. No Brasil, eles pronunciam ‘recepção’ e assim continuam a escrever.

Na verdade, trata-se de uma palavra com dupla grafia (recepção / receção), mas devemos ser criteriosos e se queremos continuar a pronunciar, por exemplo, ‘corrupto’, porque pronunciamos o ‘p’, devemos aceitar que, no Brasil, se escreva ‘corruto’, porque, na pronúncia brasileira o ‘p’ é mudo.

Não nos podemos esquecer que o Acordo Ortográfico de 1990 teve como finalidade reduzir ao mínimo possível as diferenças existentes.

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