A realidade atual da língua portuguesa em países banhados pelo Atlântico, como Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné Equatorial e o Brasil é o tema da palestra orientada pelo professor Gabriel Antunes, no dia 25 de abril. A conversa acontece na Biblioteca da Universidade de Macau, a partir das 17h30.

O professor Gabriel Antunes é o convidado que se segue na segunda palestra da série de quatro seminários promovidos pelo Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), que tem como tema “A língua portuguesa no Atlântico”. A palestra realiza-se no dia 25 de abril na Biblioteca da UM, entre as 17h30 e as 18h45. O Departamento de Português da UM, através do seu Centro de Investigação e Estudos Luso-Asiáticos (CIELA), é quem promove.

“Atualmente, menos de 5% dos falantes da língua portuguesa usam o português europeu, a variante metropolitana que deu origem às variantes transplantadas”, indica o professor Gabriel Antunes num resumo da sua comunicação enviado às redações. Com o objetivo de entender os fatores que levaram a esse estado de coisas, nesta apresentação, o académico tenciona “discorrer sobre a situação da língua portuguesa no Atlântico, nomeadamente em África (Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Guiné Equatorial) e no Brasil”, acrescenta Gabriel Antunes. A palestra é aberta a todos os interessados e, para permitir abranger um público mais alargado, será proferida em inglês, indica uma nota informativa do CIELA.

O professor da Universidade de São Paulo, que integra o Departamento de Português da UM desde janeiro de 2019, defende que a expansão da língua portuguesa, nessas regiões, está associada, por um lado, “a um conjunto de fatores dos séculos XIX e XX, que incluem o fenómeno da urbanização, migração campo-cidade, o poder cultural dos vários media (imprensa, televisão e rádio), a escolarização em massa (pós-1975), e melhorias sanitárias”. Por outro lado, deveu-se “à adoção pelas elites locais da língua portuguesa como instrumento oficial e veículo do Estado, depois dos processos de independência, alimentando uma opção consciente dos habitantes desses territórios por escolher falar a língua portuguesa, em detrimento das suas línguas tradicionais”.

O professor tenciona ainda mostrar “as intricadas relações económicas entre os países atlânticos falantes do português e a China, destacando algumas oportunidades económicas dessa relação e a importância de conhecer a língua portuguesa”.

O professor Mário Pinharanda Nunes, diretor da CIELA, destaca o facto da palestra coincidir com a comemoração do 25 de abril, “acontecimento político que permitiu e despoletou muitas das realidades dos usos, estatutos e das tendências que as variedades de português na CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], e para além dela, apresentam na atualidade”.

Gabriel Antunes é professor de Linguística Portuguesa, dedicado ao estudo do “português transplantado”, em África, Ásia e Brasil, as línguas crioulas de base portuguesa, línguas de contacto, fonologia, morfologia e sociolinguística.

Fonte: Ponto Final

Fonte: Ponto Final
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