Saber as regras da gramática não é nem antiquado nem tão inútil como se julga.

Na verdade, é o conhecimento dessas regras que permite dominar a língua materna e até compreender o modo como as palavras se articulam numa frase. O nosso cérebro tem a capacidade de sistematizar as estruturas que, exercitadas, se organizam, segundo a lógica das regras que lhes estão inerentes.

Deste modo, o ensino do funcionamento da língua tem uma função sistematizadora e disciplinadora no processo de aprendizagem do português. Assim, se o professor de língua materna dominar o conjunto de problemas da língua e tiver uma formação linguística séria poderá ensinar aos alunos uma competência de comunicação eficaz.

Muitos dos problemas dos utilizadores do português passa por um total desconhecimento dessas regras. É esse caráter normativo que organiza o pensamento de uma forma lógica, melhorando a capacidade de compreensão, de expressão escrita, aperfeiçoando a capacidade de comunicação.

Assim, por exemplo, muitos dos que criticam o novo acordo ortográfico não conhecem as regras sistematizadoras da língua e não sabem o quanto é importante disciplinar alguns aspetos, como é o caso da hifenização.

Urge, pois, implementar o ensino da gramática, que deverá assumir uma forma de reflexão sobre a estrutura e o funcionamento da língua, orientada pelo professor ou formador.

Essa atividade de descoberta é essencial para o domínio do português padrão, para o aperfeiçoamento e a diversificação do uso da língua e para a aprendizagem de línguas estrangeiras. É necessário, igualmente, para o desenvolvimento de valores e o treino das capacidades cognitivas.

Lúcia Vaz Pedro

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