3 March 2021
Profissionais dos espetáculo assistem a um filme sobre os 100 anos do cinema português em frente à Assembleia da República, Lisboa, 9 de maio de 2012. ANTONIO COTRIM/LUSA

A aposta na internacionalização do cinema e audiovisual portugueses tem de ser pensada a longo prazo

Lisboa, 31 ago (Lusa) – A aposta na internacionalização do cinema e audiovisual portugueses tem de ser pensada a longo prazo, independentemente de quem estiver no Governo, afirmou hoje à Lusa o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

No final da sessão de lançamento do Ano do Cinema e Audiovisual, hoje, na Cinemateca Portuguesa, Jorge Barreto Xavier reconheceu que “manda o bom senso” que essa aposta de internacionalização do setor seja feita numa estratégia a dez ou vinte anos.

“Independentemente de quem seja o governo, esse trabalho tem de ser feito”, disse o secretário de Estado da Cultura, a um mês das eleições legislativas.

O Ano do Cinema e Audiovisual, que decorrerá até setembro de 2016 com iniciativas como ciclos de cinema português fora de Portugal, foi apresentado por Barreto Xavier como “um sinal de um trabalho que tem de ser feito em diversos territórios, como, por exemplo, o brasileiro”.

“Não temos tido um crescimento de audiências do público de cinema no estrangeiro que seja proporcional ao reconhecimento do cinema” ao nível da crítica e dos prémios conquistados em festivais, disse à Lusa, referindo que o orçamento para as ações de internacionalização será de 100.000 euros.

Foi já anunciada a realização de uma Festa do Cinema Português em 2016, em Pequim, e Jorge Barreto Xavier referiu ainda a intenção de marcar presença em mais mercados de negócios de cinema e audiovisual. Em 2016 deverá acontecer em Lisboa, um desses eventos em coordenação com o Brasil.

Na apresentação do Ano do Cinema e Audiovisual, hoje, em Lisboa, onde estiveram presentes realizadores, produtores e distribuidores de cinema, foi ainda atribuída a medalha de mérito cultural ao historiador norte-americano Haden Guest, diretor da Cinemateca da Universidade de Harvard, pelo trabalho na divulgação internacional do cinema português.

“É muito raro o trabalho de curadores ser reconhecido. É suposto ser invisível”, disse Haden Guest no discurso de agradecimento.

Haden Guest, que programa com regularidade ciclos sobre realizadores portugueses nos Estados Unidos, sublinhou que “a vitalidade do cinema português não passa pela quantidade de filmes”, mas sim pela “imaginação e inventividade”, citando Pedro Costa e Manoel de Oliveira, como dois realizadores “visionários”.

Referindo que o cinema português é “um fenómeno raro”, cuja qualidade se estende aos produtores, aos festivais e escolas de cinema, Haden Guest revelou ainda que está a preparar um projeto de investigação sobre a história do cinema português, depois da revolução de Abril de 1974, para colmatar uma lacuna de publicações sobre o assunto em língua inglesa.

As iniciativas do Ano do Cinema e Audiovisual – que sucede ao Ano da Arquitetura e ao Ano do Design – serão articuladas pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e pela Academia Portuguesa de Cinema.

SS // MAG – Lusa/fim
Foto:LUSA

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