5 March 2021
O prémio de melhor jovem atriz foi arrebatado por Jennifer Yu pelo desempenho no filme “Sisterhood”, no primeiro Festival Internacional de Cinema de Macau, China, 13 de dezembro de 2016. CARMO CORREIA/LUSA

Festival de cinema de Macau

Macau, China, 13 dez (Lusa) – Os portugueses Nuno Lopes e Marco Martins venceram hoje os prémios de melhor ator e melhor realizador, respetivamente, com o filme “São Jorge” no primeiro Festival Internacional de Cinema de Macau.

O realizador recebeu os dois prémios em Macau e Nuno Lopes, que está em Lisboa a ensaiar a peça “A Noite da Iguana”, de Tennessee Williams, que vai estrear em janeiro no S. Luís, agradeceu o galardão numa declaração em vídeo.

“São Jorge”, que conta a história de um pugilista desempregado que trabalha em cobranças de dívidas para sobreviver, fez a sua estreia na Ásia em Macau, entre os 50 filmes de mais de 20 países e regiões apresentados neste festival.

“É uma honra para mim”, disse Nuno Lopes, numa declaração em vídeo difundida na cerimónia da atribuição dos prémios.

O ator português agradeceu ao treinador de boxe que o ajudou a preparar o papel e dedicou o prémio ao “melhor amigo e melhor realizador, Marco Martins”.

Nuno Lopes já tinha vencido o Prémio Especial de Melhor Ator na secção “Orizzonti” do Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro, pelo mesmo papel.

Ao receber o prémio de melhor realizador, Marco Martins disse “que foi muito difícil fazer este filme” e recordou que tinha demorado cinco anos a concluí-lo.

O realizador agradeceu, entre outros, aos residentes do bairro da Jamaica, no Seixal, e Bela Vista, em Setúbal, que acreditaram no filme. “Talvez eles estivessem certos e nós estivéssemos certos”, disse.

O prémio de melhor filme foi atribuído a “The Winter” (Argentina), de Emiliano Torres, e “Free Fire” (Reino Unido) ganhou o prémio de melhor argumento.

“Elon não acredita na morte”, do realizador brasileiro Ricardo Alves Jr., em estreia internacional em Macau, ganhou o prémio de melhor contribuição técnica.

“Agradeço ao festival e espero que continue por muitos anos (…) e que faça o mais importante, que é o encontro com a tela”, disse Ricardo Alves Jr.

O prémio de melhor atriz coube a Lyndsey Marsal, pelo papel no filme “Trespass Against Us” (Reino Unido), e o prémio de melhor jovem atriz foi arrebatado por Jennifer Yu, pelo desempenho em “Sisterhood”, filme da realizadora de Macau Tracy Choi, que venceu o prémio do público.

Os nove prémios, incluindo melhor filme, melhor realizador, melhor ator e/atriz ou melhor argumento, foram atribuídos pelo júri presidido pelo realizador e produtor indiano Shekhar Kapur.

Havia ainda uma categoria designada “Premio do júri”, que venceu “Trespass Against Us”, de Adam Smith.

No domingo, os cineastas portugueses João Pedro Rodrigues e João Guerra da Mata ganharam um financiamento de 10 mil dólares para o projeto “San Ma Lo 270”, uma longa-metragem, no mesmo festival.

Doze projetos foram apresentados ao longo de três dias a um júri internacional, com potenciais coprodutores ou distribuidores, e “San Ma Lo 270” (uma morada em Macau) foi um dos premiados, disse à Lusa João Guerra da Mata.

O Festival Internacional de Cinema de Macau, que terminouho foi organizado pela Direção dos Serviços de Turismo de Macau e pela Associação de Cultura e Produções de Filmes e Televisão de Macau.

O italiano Marco Müller, que esteve à frente de festivais de cinema como o de Veneza, Roma ou Locarno, foi escolhido no início do ano para dirigir o Festival, mas em novembro demitiu-se, invocando divergência de opiniões.

A diretora dos Serviços de Turismo e presidente da comissão organizadora, Helena de Senna Fernandes, acumulou a função de diretora substituta do festival.

O Festival Internacional de Cinema de Macau teve um orçamento de 55 milhões de patacas (6, 1 milhões de euros), dos quais 20 milhões (2, 2 milhões de euros) assegurados pelos Serviços de Turismo.

FV (DM/SS/MP/ISG) // VM – Lusa/Fim

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