Redação, 25 out (Lusa) – O primeiro volume da Obra Poética de Ruy Cinatti (1915-1986) é publicado na quinta-feira, reunindo toda a poesia publicada em vida do autor, anunciou a Assírio & Alvim.

A Obra Poética de Cinatti é organizada e revista por Luís Manuel Gaspar, com o auxílio dos investigadores Joana Matos Frias, que também assina o prefácio, e Peter Stilwell.

A este primeiro volume seguir-se-á um segundo, que reunirá “toda a sua poesia póstuma ou inédita”, segundo a mesma fonte.

No prefácio, Joana Matos Frias escreve, sobre a poesia de Ruy Cinatti, que é “um murro no gosto [do] público”. “É com certeza aqui que se encontra a razão da resistência e do fascínio, da fuga e da força, da distância e da intimidade que esta obra parece provocar”.

“É difícil encontrar na poesia portuguesa um poeta como Ruy Cinatti, ao mesmo tempo tão introspetivo e tão inteiramente atento ao exterior: uma consciência infeliz transformada em consciência poética vigilante”, prossegue a investigadora, para falar do autor “que soube criar uma obra de dimensão ética e estética, ativa e contemplativa, social e pura, realista, neorrealista e surrealista, sem qualquer prejuízo da sua coerência interna”.

“Pelo que, à entrada e à saída deste livro, o leitor deverá simplesmente alegrar-se com ele e dizer: ‘Sou feliz! Hoje vibra a poesia até ao fim’”, escreve Joana Matos Frias.

Ruy Cinatti (1915-1986) nasceu em Londres e, em criança, veio para Lisboa, onde se licenciou em Agronomia. Foi meteorologista, secretário do governador de Timor-Leste, chefe dos serviços agronómicos no mesmo território, ainda sob soberania portuguesa, e foi investigador da Junta de Investigação do Ultramar.

Em 1961 Cinatti, doutorou-se na Universidade de Oxford, em Antropologia Social e Etnografia.

A Assírio & Alvim, na quinta-feira, edita também uma antologia da poesia de Adélia Prado, poetisa brasileira de 80 anos, organizada por José Tolentino Mendonça e Miguel Cabedo e Vasconcelos.

Na introdução desta obra, Tolentino Mendonça e Cabedo e Vasconcelos afirmam que a poetisa “provoca escândalo”.

“A expressão cultural, como nos avisam as diversas tradições litúrgicas, é intimamente corporal. Os sacramentos pedem matéria (água no Batismo, o óleo da unção na Confirmação, pão e vinho na Eucaristia, etc.), porque o espiritual supõe o sensível”, lê-se no mesmo texto.

“Com efeito, os êxtases espirituais de Teresa viam-se no corpo — como o atesta o Bernini da igreja de Santa Maria da Vitória, em Roma —, a contemplação do Poverello de Assis [S. Francisco de Assis] fazia-o levitar três metros acima do chão, e as experiências místicas de São João da Cruz tinham consequências somáticas marcantes, como o vómito. Adélia Prado assim o entende. O religioso sem corpo é triste, incompreensível e anímico, porque é com o corpo que se ama a Deus. O corpo é que nos abre, como janela, para a transcendência: Deus só é experimentável a partir do corpo e na relação com o corpo”.

“A poética de Adélia Prado é, por isso, escandalosamente erótica”, rematam os organizadores da antologia.

Literariamente a poetisa estreou-se em 1978, com “Bagagem”. Em 2010 recebeu o Prémio Literário da Fundação Biblioteca Nacional e o Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, do Brasil.

NL // MAG – Lusa/Fim
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