Apresentação

No âmbito das celebrações dos 40 anos (1979[1]-2019) de vida literária, ensaística, dramatúrgica de Miguel Real e na sequência do Colóquio Internacional – Miguel Real – Literatura, Filosofia, Cultura que decorreu na Universidade da Beira Interior (FAL- UBI, LabCom.IFP), Covilhã, nos dias 7 e 8 de novembro de 2018, ao qual se associaram várias instituições, de entre as quais destacamos, o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, a Academia Lusófona Luís de Camões, o Instituto Europeu de Ciências da Cultura – Padre Manuel Antunes, o Instituto Fernando Pessoa, o Observatório da Língua Portuguesa, bem como diversos Municípios, regionais e não só, onde naturalmente figura a Câmara Municipal da Guarda, estará patente uma exposição dedicada a este destacado vulto da cultura portuguesa na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, Guarda, de outubro a dezembro de 2019.

À presente iniciativa estarão associados muitos outros eventos, de entre os quais destacamos o Colóquio Miguel Real – 40 anos de escrita: ensaio, ficção, &tc. (4 de outubro de 2019 – sala de Tempo e Poesia da BMEL – Guarda), o Colóquio Miguel Real – 40 anos de escrita: a (re)criação dramatúrgica, com a performance da Peça de Teatro O Ano da Morte de Ricardo Reis, da autoria de José Saramago e adaptação dramatúrgica de Miguel Real e Filomena Oliveira (6 de novembro de 2019, Teatro Municipal da Guarda), bem como, a fechar o mencionado ciclo comemorativo, o Colóquio Miguel Real – 40 anos de escrita: o romance histórico no século XXI (6 de dezembro de 2019 – sala de Tempo e Poesia da BMEL – Guarda).

Esta efeméride culminará com uma publicação coletiva, prevista para o ano letivo 2019-2020, que integrará o contributo dos conferencistas presentes quer no colóquio Internacional havido na Covilhã (UBI), quer de todos os eventos acima mencionados, que terão lugar na Guarda (BMEL). Serão ainda compilados textos de mais alguns especialistas convidados. Além disso, o volume, já em preparação, espelhará igualmente outras iniciativas movidas em torno deste ciclo comemorativo, de onde salientamos o documentário realizado por alunos da licenciatura em cinema da Faculdade de Artes e Letras da UBI (nomeado para o prémio Sophia Estudante) [2], bem como os ecos reunidos quer em torno da presente exposição promovida na BMEL, e eventos afins, quer no âmbito do painel consagrado a Miguel Real nos Congressos Internacionais Luso-Brasileiros – CILB que terá lugar em Lisboa, de 11 a 16 de novembro de 2019, quer ainda no que concerne à ligação ao V Congresso Internacional: Que Culturas (s) para o Século XXI?[2], que terá lugar a 6, 7 e 8 de 2019, na Universidade da Beira Interior, Covilhã, na medida em que o colóquio do dia 6 de novembro (BMEL) será simultaneamente uma sessão paralela do supra citado Congresso Internacional.

Recordando, meramente a título de exemplo, as obras da autoria de Miguel Real, Eduardo Lourenço – Os Anos da Formação 1945-1958 (2003), Essencial sobre Eduardo Lourenço (2003), bem como Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa (2008), tendo inclusive este último volume sido agraciado com o prestigiado Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, torna-se evidente a ligação entres estes dois ilustres intelectuais, Eduardo Lourenço e Miguel Real, bem como a pertinência da realização desta exposição na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, situada na cidade da Guarda, cuja recente candidatura a capital europeia da cultura é precisamente apadrinhada por Miguel Real.

Miguel Real

Quatro décadas dedicadas à reflexão intensa, à escrita de obras de renomada qualidade científica e estética, eternizadas num contributo inestimável para a História da Cultura, da Literatura, da Filosofia, da Lusofonia, são assinaladas neste Ciclo de Homenagem.

Desde o final do passado século, Miguel Real tem acompanhado quinzenalmente, no “Jornal de Letras”, a evolução do romance português e a irrupção de uma novíssima geração no campo da ficção. Disso nos deu conta em Romance Português Contemporâneo – 1950 – 2010 (2011), um ensaio polémico, cujas teses, aceites por uns, contestadas por outros, se tornaram incontornáveis na atual historiografia literária.

De Portugal – Ser e Representação (1998, Prémio Revelação Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores) a Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa (2017), Miguel Real foi percorrendo um itinerário inquiridor sobre a identidade histórica de Portugal através da análise da obra dos seus importantes protagonistas: Marquês de Pombal, 2005; Eça de Queirós, 2006; Agostinho da Silva, 2007; Eduardo Lourenço, 2008 – Prémio Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários; padre António Vieira, 2008; Matias Aires, 2008; José Enes, 2009; Mensagem de Fernando Pessoa, 2013; o Sebastianismo em 2014, e, finalmente, em colaboração com Filomena Oliveira, publicou, em 2016, O Teatro na Cultura Portuguesa do Século XX.

No campo do ensaio reflexivo, as suas ponderações levaram-no à escrita de três livros sobre a Ética (Nova Teoria do Mal, 2012: o Mal como valor absoluto, real, não metafísico nem teodiceico; Nova Teoria da Felicidade, 2013: a felicidade como valor superior da ética, e Nova Teoria do Pecado, 2017: o pecado, o medo e a culpa como sustentáculos da civilização ocidental), bem como à reflexão sobre a história e a teoria do corpo em Manifesto em Defesa de uma Morte Livre(2015), sobre a religião em O Futuro da Religião (2014) e sobre a situação histórica e política de Portugal em Portugal – Um país para no meio do caminho – 2000 – 2015 (2015).

No domínio da ficção, tem escrito teatro com Filomena Oliveira (entre várias peças, Uma Família Portuguesa, 2008 – Grande Prémio de Teatro Sociedade Portuguesa de Autores/Teatro Aberto; Vieira – O Céu na Terra, representado em Portugal, no Brasil e na Guiné-Bissau; Europa, Europa, 2016), romance histórico (atravessando 400 anos de presença portuguesa no Brasil: Memórias de Branca Dias, 2003; A Voz da Terra, 2005: Prémio Ficção Fernando Namora 2006; O Último Negreiro (2006), O Sal da Terra, 2008, e A Guerra dos Mascates 2011). Do mesmo modo, publicou O Último Minuto na Vida de S. (2007), O A Ministra (2009), As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia (2010), O Feitiço da Índia (sobre a colonização portuguesa de Goa, 2012), A Cidade do Fim (sobre Macau, 2014) e O Último Europeu (uma utopia/distopia projetada para 2284, 2015). Em 2016, escreveu a quatro mãos, com Manuel da Silva Ramos, a novela O Deputado da Nação. Pessoalmente, Miguel Real considera A Visão de Túndalo por Eça de Queirós, a revelação de um manuscrito inédito deste autor, publicado em 2000, Prémio Ler/Círculo de Leitores, o seu melhor romance.

[1] Em 1979, Miguel Real foi agraciado com o Prémio Revelação e Ficção da APE/IPLB, pela redação d’O Outro e o Mesmo, a sua primeira obra ficcional.

[2] Informação disponível em http://www.urbi.ubi.pt/pag/17786 [acedido a 20-04-2019].

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