Marisa Monte (D)  e Carminho no concerto "Cool Jazz Festival" em Oeiras arredores de Lisboa, 27 de julho de 2016. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Marisa Monte (D) e Carminho no concerto "Cool Jazz Festival" em Oeiras arredores de Lisboa, 27 de julho de 2016. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

“SILVA canta Marisa”

Lisboa, 01 maio (Lusa) – O músico brasileiro SILVA edita este mês em Portugal um álbum de versões de canções de Marisa Monte, que representa um momento de maturação pessoal e artística, como contou em entrevista à agência Lusa.

“SILVA canta Marisa” saiu há meses no Brasil, mas só agora está disponível no mercado português e será apresentado ao vivo no verão em Lisboa (no festival Super Bock Super Rock) e na Madeira.

Lúcio Silva, 28 anos, que assina apenas SILVA, esteve esta semana em Portugal a lançar o novo disco, o quarto de uma curta carreira na música independente, iniciada em 2011 com um EP gravado em casa.

“Nunca tinha pensado em gravar um disco com repertório que não fosse o meu, mas foi um frescor poder cantar a música de outra pessoa”, explicou, a propósito das canções de Marisa Monte que recriou para este disco, com novos arranjos e com o apoio da cantora.

O álbum, com canções repescadas de vários discos de Marisa Monte, surge no seguimento de dois concertos e um programa de televisão em que SILVA interpretou as canções da autora brasileira. Dessas atuações à entrada em estúdio foi um passo rápido, numa altura em que SILVA estava já a preparar novas composições.

“Veio num momento ótimo, já estava pensando em fazer um outro disco, a entrar num processo de composição, dei um pouco de férias ao meu trabalho autoral e pude encarar um outro repertório que me ensinou muitas coisas”, recordou.

Na apropriação das canções de Marisa Monte, como “Beija eu”, “Infinito particular” e “Ainda lembro”, o músico quis deixar uma impressão pessoal.

“Esse disco me deu muito trabalho. Eu achei que ia ser mais fácil, por já não ter o trabalho de a compor, mas para fazer essas versões terem uma personalidade deu bastante trabalho. É um disco muito orgânico”, descreveu o músico, comparando com a estética mais eletrónica que está presente nos discos que editou.

Ao alinhamento do álbum junta-se ainda um original, entre as canções que SILVA e Marisa Monte foram escrevendo, intitulado “Noturna (nada de novo na noite)”, no qual a cantora participa.

O álbum representa ainda um momento de amadurecimento pessoal e musical do músico, por ter agora uma autoestima melhor como cantor e por não se preocupar em agradar a todos.

“Há uma coisa que eu me espelho e admiro na Marisa: É que ela faz uma música que é extremamente popular e ela não abre mão da sofisticação dela. Os discos são muito bem produzidos, bem gravados. É uma coisa que quero seguir daqui para a frente. Eu quero fazer um próximo disco mais livre do que sempre fui”, disse.

Trabalhar com Marisa Monte abriu-lhe ainda as portas da produção musical. Prepara-se para produzir um álbum de Lulu Santos de homenagem a Rita Lee e assinar a coprodução de um outro de Gal Costa.

Ao vivo, SILVA tem andado a tocar apenas o repertório de Marisa Monte e será esse o espetáculo que apresentará no verão em Portugal.

Num momento de “total descrença no Brasil”, o músico diz que adoraria viver em Lisboa e elogia os portugueses, por valorizarem a música brasileira independente mais do que os próprios brasileiros, muito focados no sertanejo e no funk.

SS // TDI – Lusa/fim

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