Mais de 150 talibés, alunos que estudam o Corão, frequentam a escola corânica da grande mesquita de Dacar, situada no centro da capital do Senegal, numa situação completamente contrária aos talibés que mendigam por aquela cidade senegalesa, Dacar, 16 de dezembro de 2007. MARISA SERAFIM/LUSA
Mais de 150 talibés, alunos que estudam o Corão, frequentam a escola corânica da grande mesquita de Dacar, situada no centro da capital do Senegal, numa situação completamente contrária aos talibés que mendigam por aquela cidade senegalesa, Dacar, 16 de dezembro de 2007. MARISA SERAFIM/LUSA

Senegal: Centro de Língua Portuguesa de Casamansa abre até maio

Lisboa, 12 abr (Lusa) – O Centro de Língua Portuguesa (CLP) de Casamansa, no Senegal, deve abrir até maio, adiantou o Instituto Camões, e será o segundo no país não lusófono com mais estudantes de língua portuguesa no mundo.

José Horta, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, disse à Lusa que o plano era ter aberto o CLP até final de março, mas o trabalho do instituto com a formação de professores e a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que se inicia hoje, atrasaram a inauguração de um edifício que até já está concluído, e ao qual só falta o equipamento.

O responsável do Instituto Camões no Senegal lamenta que a agenda não tenha permitido que fosse o próprio Presidente da República a inaugurar o centro, um edifício “de dimensões modestas”, mas com um espaço exterior, “virado para fora, à boa maneira africana”, pensado para acolher debates ou a exibição de filmes, e do qual José Horta espera um contributo para uma difusão ainda maior da língua portuguesa no país.

Localizado na universidade de Ziguichor, sul do Senegal, o centro de Casamansa deverá beneficiar do interesse particular que aquela região específica tem pela língua portuguesa, sobretudo por razões histórias – Casamansa já foi território português, cedido ao Senegal há 130 anos em troca por Cacine, no sul da Guiné-Bissau, país vizinho.

Ainda que não seja tão académico como o curso de Dacar, o curso de português da Universidade de Ziguinchor tem cerca de 300 estudantes que encaram a aprendizagem da língua como um complemento a cursos como o de gestão, pelas oportunidades que o domínio de português representa no mercado de trabalho no continente africano.

Além de ser uma língua de trabalho oficial em organizações como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e da União Africana, é cada vez mais uma exigência para um emprego em alguns cargos na administração pública ou em hotéis.

“Para além dos 200/300 estudantes de Ziguinchor, penso que o centro será muito útil para pessoas que queiram aprender português fora da universidade, nomeadamente em cursos extracurriculares, até pela proximidade com a Guiné-Bissau, e até por muitas pessoas oriundas de lá. O número de guineenses a estudar na universidade de Ziguinchor é importante. Se houver meios humanos para a procura que eu espero que venha a haver, penso que [o número de inscritos] será em crescendo”, disse José Horta.

Marcelo Rebelo de Sousa não vai inaugurar o centro, mas tem na agenda do segundo dia de visita oficial um encontro com alunos e professores de português no Senegal.

“Para nós é um orgulho. O Senegal nunca foi visitado por um Presidente da República (PR) ou primeiro-ministro. Tivemos a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, há alguns anos atrás, mas uma presença assim tão importante como a do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa não”, disse.

“São coisas que ajudam a dar visibilidade, que contribuem para a promoção da língua e da cultura, sem dúvida. O facto de os nossos estudantes poderem vir a encontrar-se com o PR é muito importante, para ele ver que há meninos e meninas de 13 anos que já conseguem falar português. Isso para mim é muito importante”, prosseguiu.

Além de mais de dois mil alunos universitários, há mais de 44 mil alunos de português no ensino básico e secundário, que escolhem aprender a língua em detrimento de outras que fazem parte da oferta curricular no país, como russo, italiano, alemão.

De uma forma geral, o português só perde em número de alunos para o espanhol, referiu José Horta, que disse que o total de matriculados em português é cerca de um quarto do total de inscritos em espanhol, mas ainda assim, um número muito considerável dentro do sistema de ensino senegalês.

“Hoje mesmo em regiões do interior leste, onde a islamização é mais forte e onde se esperaria que o árabe pudesse ser mais predominante, mesmo nessas zonas o português já começa a ter um peso muito importante”, disse José Horta.

Os mais de 44 mil alunos de hoje contrastam com os cerca de 10 mil em 2000/2001, referiu José Horta, que atribuiu este “crescimento significativo” em pouco mais de uma década à formação de professores e à massificação do ensino.

No que diz respeito a professores, há entre 430 e 450 docentes de português no Senegal, todos formados e pagos pelo país.

IMA // HB – Lusa/fim
Sophie e as duas Fatou esperaram serenas pela liberdade à sombra de cajueiros depois de quase um mês reféns nas matas do sul do Senegal. Estão hoje na capital da Guiné-Bissau, ansiando por voltar a casa. Sophie Aidara,Fatou Diaw e Fatou Gueye (E-D de camisola branca), de etnia Jola, são de Ziguinchor, a principal cidade da região de Casamansa, no sul de Senegal, que há décadas vive um clima de instabilidade por causa do conflito que opõe o Governo de Dacar e o Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC), que exige a independência da região. As três eram as únicas mulheres de um grupo de desminagem que operava na região e que no passado dia 03 foi feito refém pela ala armada do MFDC, chamada de Atika (que significa guerreiro). Bissau 28 de maio de 2013. FERNANDO PEIXEIRO / LUSA

Sophie e as duas Fatou esperaram serenas pela liberdade à sombra de cajueiros depois de quase um mês reféns nas matas do sul do Senegal. Estão hoje na capital da Guiné-Bissau, ansiando por voltar a casa. Sophie Aidara,Fatou Diaw e Fatou Gueye (E-D de camisola branca), de etnia Jola, são de Ziguinchor, a principal cidade da região de Casamansa, no sul de Senegal, que há décadas vive um clima de instabilidade por causa do conflito que opõe o Governo de Dacar e o Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC), que exige a independência da região. As três eram as únicas mulheres de um grupo de desminagem que operava na região e que no passado dia 03 foi feito refém pela ala armada do MFDC, chamada de Atika (que significa guerreiro). Bissau 28 de maio de 2013. FERNANDO PEIXEIRO / LUSA

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