Foto LUSA: Uma imagem disponibilizada em 23 de abril de 2015 mostra uma amostra da "literatura de cordel" (literatura cabo) durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá, Colômbia, 21 de abril de 2015. EPA / MAURICIO DUENAS CASTANEDA
Foto LUSA: Uma imagem disponibilizada em 23 de abril de 2015 mostra uma amostra da "literatura de cordel" (literatura cabo) durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá, Colômbia, 21 de abril de 2015. EPA / MAURICIO DUENAS CASTANEDA

Os novos caminhos das literaturas sul-americanas

Óbidos, Leiria 25 set (Lusa) – Os novos caminhos das literaturas sul-americanas já não passam pelo realismo mágico e enfrentam o risco da formatação resultante das oficinas de escrita, uma corrente criticada hoje em Óbidos pelos escritores Luis Ruffato e Juan Pablo Villalobos.

“Estamos condenados ao mal-entendido”, afirmou Juan Pablo Villalobos, para quem as literaturas dos países da américa latina continuam a ser associadas ao movimento Boom dos anos 1960 e 1970.

A corrente, que está relacionada com os autores Julio Cortázar (Argentina), Carlos Fuentes (México), Mario Vargas Llosa (Peru), e Gabriel García Márquez (Colômbia), associa a literatura latino-americana a um “realismo mágico” de que o escritor mexicano, autor de Festa no Covil, entre outras obras, considera que os novos autores “estão afastados”.

Convicto de que a escrita de Gabriel Garcia Marquez “é uma fórmula” de que os novos escritores já não querem seguir, Villalobos sustentou, numa mesa de autores no festival Folio, que os escritores de língua hispânica “já não sente necessidade de procurar uma identidade que defina a sua literatura”, havendo, inclusive, “muitos escritores interessantes, expatriados e a escrever fora dos seus países”.

Numa altura em que o enfoque dos escritores incide mais no género literário (policial, narco-literatura, etc) do que na identidade nacional, Juan Pablo Villalobos teme que a nova tendência seja “escrever em inglês” e de forma “formatada”, segundo um modelo baseado em oficinas de escrita criativa que debitam aquelas que os editores consideram ser as preferências do público.

Um temor partilhado por Luis Ruffato, escritor brasileiro que atribuiu a autores “o sonho de escreverem em inglês, para serem publicados nos Estados Unidos, achando que vão com isso resolver o problema da visibilidade”.

No entender de Ruffato, não se encaixando na literatura dos países da América do Sul, a literatura brasileira não é reconhecida na Europa, nem sequer em Portugal, pais pelo qual diz que os seus conterrâneos “sentem desprezo”, por associarem aos “emigrantes pobres” que ali se radicaram no passado.

Fruto disso os escritores brasileiros “não têm possibilidade de ter uma visibilidade no mundo” e, acrescentou, “nem o nosso próprio país tem interesse na literatura que nós fazemos”.

Dai também o risco de os novos escritores do Brasil tenderem a escrever “segundo o modelo de mercado editorial”, sobretudo dos Estados Unidos, já que, afirmou “o que nos sobra é ser uma espécie de caricatura mal feita dos Estados Unidos” com “a classe média a sonhar morar em Miami”.

Os dois escritores conversavam com o público do Festival Literário Internacional de Óbidos, cuja segunda edição decorre até ao dia 2 de outubro, celebrando os 500 anos da ‘Utopia’ de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte dos clássicos William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

DYA // JMR – Lusa/Fim

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