a minha pátria e moçambique

Oito “depoimentos otimistas” no livro “A minha pátria é Moçambique”

Lisboa, 01 jul (Lusa) – Os depoimentos “otimistas” de oito personalidades transversais à sociedade moçambicana, entre ex-presidentes, políticos, escritores ou ex-combatentes, compõem o livro “A Minha Pátria é Moçambique”, obra da jornalista portuguesa Tânia Reis Alves, nas livrarias a 06 de julho.

A obra inclui depoimentos de Joaquim Chissano (ex-Presidente da República), Afonso Dhlakama (líder da Renamo), Mia Couto (escritor), Naguib (pintor), Alice Mabota (ativista dos Direitos Humanos), Raimundo Pachinuapa (antigo combatente), Lutero Simango (MDM), e Licínio Azevedo (brasileiro, jornalista, escritor e realizador de filmes e de documentários sobre Moçambique, onde reside há mais de 40 anos).

Em entrevista à agência Lusa, a autora, 33 anos e jornalista na produtora portuguesa Panavídeo, salientou que a obra, editada pela Guerra & Paz e de 167 páginas, destina-se a dar mais uma achega ao resgate da memória de um país com uma “História recente, logo, muito subjetiva”.

“Mais do que é escrito nos livros de História, do que é dito pelos jornalistas no dia a dia, ou pelos historiadores, uma vez que estamos a falar de uma história muito recente, logo muito subjetiva – há versões muito diferentes sobre o que se passou -, interessa-me muito também preservar a memória das pessoas”, sublinhou.

“Interessou-me ver como um percurso individual de uma série de pessoas se cruza com a história de um país, e o contrário, como as histórias desse país afetaram o percurso de cada uma dessas pessoas”, acrescentou Tânia Reis Alves, indicando que o livro resulta de várias viagens feitas em 2015 a Moçambique para produzir, para a Panavídeo, um documentário de dois episódios sobre os 40 anos de independência.

O livro surgiu depois de esses 20 testemunhos estarem reunidos, prosseguiu, tendo então entendido que a televisão, “muitas vezes, não dá o tempo e o fôlego necessários para contar as histórias” que se gosta de contar, pois iria “desaproveitar-se uma grande riqueza de testemunhos”.

Comum a todos os entrevistados é o “otimismo”, ressalva a autora, algo que mais a impressionou, apesar da dureza dos 40 anos de independência, “marcados por 16 de uma guerra civil (1976/92) muito sangrenta e que deixou marcas até hoje”.

“Nestas 20 entrevistas nenhuma destas 20 personalidades coloca em causa que valeu a pena. Para todos eles, a independência, apesar de tudo, valeu a pena”, enfatizou.

“Quis ouvir diferentes vozes. Aliás, o documentário intitulou-se “Ecos da Independência”. Quis ouvir diferentes sensibilidades, de pessoas de diferentes idades, de diferentes áreas da sociedade”, lamentando não ter conseguido entrevistar mais mulheres.

Natural de Oeiras, onde nasceu em 1983 (33 anos), Tânia Reis Alves é licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e é jornalista desde 2006, estando desde 2010 na produtora Panavídeo.

A autora iniciou-se na profissão no extinto Jornal de África (suplemento mensal do diário Público), tendo-se mudado para a televisão em 2008, colaborando com a RTP África, tendo ainda sido coordenadora dos programas Latitudes e Rumos, sobre cultura africana, e produtora do Mar de Letras, sobre literatura lusófona.

JSD // VM – Lusa/Fim
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