Uma equipa de arqueólogo francês, Jean-Christophe Galipaud observam gravuras rupestres numa caverna em Atekru, na ilha de Ataúro, Timor-Leste,15 de agosto de 2015. Equipas de arqueólogos detetaram vestígios que comprovam a ocupação humana há pelo menos 18 mil anos na ilha timorense de Ataúro, a norte de Díli, com gravuras rupestres que podem datar de há cerca de 8.000 anos. LUSA
Uma equipa de arqueólogo francês, Jean-Christophe Galipaud observam gravuras rupestres numa caverna em Atekru, na ilha de Ataúro, Timor-Leste,15 de agosto de 2015. Equipas de arqueólogos detetaram vestígios que comprovam a ocupação humana há pelo menos 18 mil anos na ilha timorense de Ataúro, a norte de Díli, com gravuras rupestres que podem datar de há cerca de 8.000 anos. LUSA

Ocupação humana em Ataúro (Timor-Leste) data de há pelo menos 18 mil anos

Díli, 26 abr (Lusa) – Equipas de arqueólogos detetaram vestígios que comprovam a ocupação humana há pelo menos 18 mil anos na ilha timorense de Ataúro, a norte de Díli, com gravuras rupestres que podem datar de há cerca de 8.000 anos.

As investigações foram conduzidas por uma equipa de arqueólogos franceses liderada por Jean-Christophe Galipaud, que começou recentemente a publicar alguns dos resultados de estudos conduzidos nos últimos anos em vários pontos de Timor-Leste.

Galipaud, que começou a residir a longo prazo em Timor-Leste desde 2013 – país que visitou pela primeira vez em 2011 -, é um arqueólogo que nos últimos 35 anos se especializou em trabalhos de investigação no Pacífico e no Sudeste Asiático.

Depois de três anos de investigação, Galipaud identificou quatro locais de grande significado arqueológico, dois na região de Balibó, próximo da fronteira com a Indonésia e dois na ilha de Ataúro, a cerca de 30 quilómetros a norte de Díli.

Em Arlo, no centro de Ataúro, o arqueólogo e a sua equipa encontraram vestígios importantes de aldeias habitadas entre 2.500 e 3.000 anos atrás e em Atekru, na costa do sudoeste da ilha, encontraram-se vestígios de gravuras rupestres que podem datar de há cerca de 8.000 anos.

Na mesma caverna em Atekru, Galipaud diz ter encontrado vestígios de ocupação humana datada de há mais de 18 mil anos atrás, a datação mais antiga comprovada até hoje em Ataúro.

Recorde-se que os estudos conduzidos em Timor-Leste nos últimos 15 anos permitiram corrigir significativamente as estimativas anteriores sobre a colonização humana da ilha, com as datações arqueológicas mais antigas a serem de 42 mil anos.

Arte rupestre, alguns objetos e outros elementos orgânicos (como conchas em cavernas) são alguns dos vestígios que ajudaram a contextualizar a datação.

O interesse do arqueólogo em estudar este período em Timor-Leste deve-se não só para explicar algo do passado do país mas também porque ajuda a perceber melhor o que ocorreu no Pacífico.

“Sabemos que chegaram novas populações à região, austronésios, oriundos de Taiwan, que se espalharam pelo sudeste asiático. A maioria das línguas faladas nestas ilhas, incluindo Timor, são da família austronésia”, recordou.

“O sudeste asiático, as ilhas desta região, são um local muito especial que viu desenvolvimento muito original em termos de culturas e influência. Quando se trabalha no pacífico não podes não ter interesse na história do sudeste asiático”, recordou.

Se alguma da arte rupestre lida com representações ou imagens nem sempre reconhecíveis, a arte rupestre encontrada em Ataúro é “especialmente interessante” porque mostra “representações vividas de animais, como crocodilos ou mamíferos marinhos” de vários tipos.

“Num dos painéis nessa gruta podemos ver algo que pode representar uma caça de baleias ou a caça de um qualquer mamífero marinho. Este tipo de gravuras são muito raras e não se encontram entre outros exemplos de arte rupestre de Timor-Leste”, explicou.

Galipaud considera Timor-Leste “arqueologicamente rico” mas refere que esta é uma ilha que coloca desafios aos arqueólogos.

“Encontrar locais com 3.000 anos torna-se difícil porque nesse período muitas comunidades já viviam perto do mar, o que torna as zonas que habitavam mais difíceis de detetar devido à erosão que ocorreu”, explicou.

Os trabalhos de Galipaud, como de outras equipas de arqueólogos que têm sido realizados em Timor-Leste têm contado com o apoio e colaboração da Secretaria de Estado da Cultura e suscitado amplo interesse entre as comunidades locais.

“Há sempre algumas expetativas e muita curiosidade. Depois, quando começamos a trabalhar, as pessoas começam a perceber o que procuramos, como se desenvolve o trabalho do arqueólogo”, explicou.

“É um processo moroso, encontrar os locais, procurar com guias locais, escavar nas zonas potenciais. Nesta fase tento sempre envolver os habitantes locais porque posso explicar o significado das pequenas coisas que encontramos: o carvão, os instrumentos, algumas estruturas, ou ossos de animais que já não existem”, referiu.

Galipaud continuará ligado a Timor-Leste: tem previstas visitas regulares para continuar a investigação e agora um leque amplo de estudos para publicar.

ASP // JPF – Lusa/Fim

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