VI Encontro Triângulo Estratégico América Latina-Europa-África
VI Encontro Triângulo Estratégico América Latina-Europa-África

MNE enaltece reforço do ” triângulo estratégico” e “conceção ampla” do eixo Europa, América Latina e África

Lisboa, 19 abr (Lisboa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, enalteceu hoje em Lisboa a visão de Fernando Pessoa ao pugnar pela materialização do “triângulo estratégico” e uma “conceção ampla” do que são hoje a Europa, a América Latina e África.

“Materializar este triângulo estratégico, que tem de ter conceção bastante ampla do que é a Europa, a América Latina (América do sul, Caribe, e parte da América central e do norte), e uma conceção ampla do que é África, pelo menos a atlântica”, afirmou na sessão de encerramento no encerramento do VI Encontro Triângulo Estratégico América Latina-Europa-África (TEALEA), que decorreu na sede central da Caixa Geral de Depósitos.

O reconhecimento “dos respetivos patrimónios materiais e imateriais” que ajudam a construir “uma construir uma unidade feita, de diversidade”, de novo numa referência a Pessoa, foi uma das mensagens que o chefe da diplomacia portuguesa deixou na intervenção final deste encontro, coorganizado pelo Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL), a Secretaria Geral Iberoamericana (SEGIB) e a Abreu Advogados.

As iniciativas já concretizadas, e a concretizar, no plano cultural foram particularmente sublinhadas, com Augusto Santos Silva a destacar quatro planos decisivos: a língua, o ensino e a educação, a “cultura comum, quotidiana, que mais se liga às nossas identidades nacionais” e por fim o plano da “cultura erudita, das artes, do património e da criação cultural em geral”.

Assim, sublinhou como “evento marcante” o seminário da intercompreensão do português e espanhol como línguas globais, que decorrerá em 06 de junho em Espanha, após recordar a intervenção do rei de Espanha Filipe VI no parlamento português em novembro passado onde “apelou a uma colaboração estreita entre o Instituto Camões e o Instituto Cervantes”.

“A intercompreensão do português e espanhol ajuda a construir o triângulo Europa-América Latina-África”, defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros, que também se congratulou com a decisão anunciada pelo Governo do Brasil, em outubro, em retomar o “financiamento e participação ativa no quadro do Instituto internacional de língua portuguesa sediado em Cabo Verde e dirigido por uma moçambicana”.

Este amplo universo linguístico e cultural não se reduz no entanto, ao espaço ibero-americano, como explicitou: “O país do mundo onde hoje mais se aprende o português é o Senegal, onde 46.000 estudantes do ensino básico e secundário aprendem português, quase 2.000 estudantes do ensino superior frequentam cursos em português”.

Numa intervenção de improviso, voltou a citar Fernando Pessoa – ‘Sê plural como o universo é plural’ – e concluiu com a leitura de um pequeno poema do autor de “Mensagem”, primeiro na versão original em português, e de seguida na tradução para espanhol, denotando que a sua “melodia” é preservada nas duas línguas, assim como a própria “proximidade lexical”, e também a “proximidade musical, melódica”.

“Em política o nome que nós temos para sonho é projeto. (…) ao fim ao cabo o que nós dizemos todos é dirigirmo-nos ao mar, porque é do Atlântico que aqui se trata”, incitou.

“E pedir-lhe que nos leve para longe em sonho, e que um vago mal-estar risonho nos alheie da consciência do momento, nós diríamos hoje dos múltiplos problemas do momento, para que este sonho, o projeto atlântico, seja a nossa vida, quer dizer o nosso futuro”, concluiu.

PCR // EL – Lusa/Fim

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