O navio-escola Sagres, 20 de julho em Lisboa. EDUARDO COSTA / LUSA
O navio-escola Sagres, 20 de julho em Lisboa. EDUARDO COSTA / LUSA

LÍNGUA PORTUGUESA

mario-maximo

MÁRIO MÁXIMO
Julho, 11, 2017, Odivelas

Amar uma língua é ter a chave para interpretar os segredos da existência.

Uma língua é um universo de símbolos e sons.

Um universo de significados e estéticas.

Amar uma língua é influenciar todas as outras

através das experiências extraordinárias

de dialetos e idiomas em contacto nos tubos de utópicos

vasos comunicantes

que unem continentes tendo como pontes os oceanos

e que unem oceanos tendo como pontes os continentes.

Amar a língua portuguesa é pertencer à humanidade da viagem.

É manusear a chave que não abre apenas a gaveta dos sonhos

mas o contador universal onde moram todas as gavetas,

pequenas e grandes,

que podem levar à revelação dos limiares superiores.

Amar a língua portuguesa é poder descobrir a teoria da relatividade

dos sentimentos que descobrem galáxias

e navegam quânticas probabilidades

e, logo a seguir, encontrar a teoria que nega toda essa relatividade.

Amar a língua portuguesa é ser a língua portuguesa.

Uma língua que não é pertença de ninguém.

Mas, todavia, tem uma história.

E essa história tem nomes e datas e tempos e luzes.

Quem falou, escreveu e viveu a língua portuguesa,

quem fala, escreve e vive a língua portuguesa,

quem vier a falar, a escrever e a viver a língua portuguesa

teve, tem e terá a sua quota-parte nessa aventura.

As palavras da língua portuguesa unem.

Esse é o segredo.

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