Cremilda de Lima,  detentora do Prémio Nacional da Cultura e Artes 2016, na categoria de Literatura.
Cremilda de Lima, detentora do Prémio Nacional da Cultura e Artes 2016, na categoria de Literatura.

Fórum entre escritores angolanos e santomenses

A integração e as mudanças culturais na África Central foram tema de um fórum entre escritores angolanos e santomenses realizado, domingo, em Casablanca, Marrocos, no âmbito da 23ª edição do Salão Internacional de Edição e do Livro, que decorreu de 8 a 19.

Os escritores angolanos Cremilda de Lima, Aguinaldo Cristóvão e o santomense Lúcio Amado foram os convidados para a mesa redonda sobre “A integração cultural no contexto da África Central”, moderado pela marroquina Fátima Lahssini, professora de espanhol e estudiosa de língua portuguesa.

Durante a mesa redonda, que contou ainda com a presença do diretor-geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais de Angola, Gabriel Cabuço, foi abordado o papel da inclusão linguística, literária e os benefícios da integração cultural no contexto africano, em geral, e dos países da África Central, em particular.

O escritor Aguinaldo Cristóvão defendeu, na sua dissertação, a criação de políticas culturais ativas que permitam aos países da Comunidade Económica da África Central (Ceaac) fortalecer, por meio do incentivo das indústrias culturais, os laços históricos, culturais e linguísticos, através da cooperação económica.

A nível da comunidade, lembrou, existem obstáculos linguísticos, que podem ser ultrapassados.

A detentora do Prémio Nacional da Cultura e Artes 2016, na categoria de Literatura, Cremilda de Lima destacou o papel desta arte na promoção da leitura e do conhecimento de outras culturas, assim como o papel dos escritores no reforço da cooperação.

O papel da língua portuguesa como fator de unidade nacional em Angola e a valorização das línguas nacionais, disse, devem continuar a servir como veículo de transmissão da herança cultural.

O santomense Lúcio Amado apresentou o exemplo da emigração como uma questão que deve ser analisada no âmbito da integração dos países e defendeu a existência de uma maior aposta na interculturalidade.

Na África Central, recordou, os países implementam políticas culturais em dinâmicas diferentes e destacou o exemplo da Guiné Equatorial, que desenvolveu políticas de ensino massivo da língua portuguesa no quadro da integração na CPLP.

O debate, que teve tradução em francês e árabe, esteve inserido no programa cultural do Salão Internacional de Edição e do Livro de Marrocos, no qual Angola foi uma das convidadas de honra.

A delegação angolana foi chefiada pelo secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley, e levou diversas obras de autores nacionais publicadas pelo Instituto Nacional de Indústrias Culturais (INIC).

Fonte: Jornal de Angola

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