Chrys Chrystello, Presidente dos Colóquios da Lusofonia
Chrys Chrystello, Presidente dos Colóquios da Lusofonia

Antes do AO1990 já era assim e ninguém protestou?

Algumas homógrafas e homófonas, provindas já da queda de uma série de acentos diferenciadores, existentes até à reforma ortográfica de 1945. Tal, afinal, como agora, por via do AO de 1990, aconteceu com a forma verbal pára, agora para – ficando com a mesma forma da preposição homófona*.

Sei de cor a cor
Acordo para o acordo
Na corte os conjurados preparam o corte de relações
E que contas, contas tu abrir no banco?
Acerto o acerto
Gelo com o gelo
Borro as borras do café
Cerro fileiras no cerro
Com a colher vou colher flores
Não vou corar a ouvir o coro
Molho o molho aos molhos
Rego os regos do quintal
A sede mato-a na sede do clube
Sobre a lareira não há frio que sobre
Na torre não há sol que me torre
Vede bem que é preciso que a porta vede
É uma seca esta seca
Muito obrigada pelo seu apoio. Claro que eu apoio essa causa
Esta conversa é sobre o quê? Não quero que sobre comida
Você viu o jogo de futebol? Todos os sábados eu jogo

* N.E. Além dos casos acima referidos, a eliminação do acento gráfico nas palavras homógrafas graves consagradas pelo Acordo de 1945, em Portugal, e pela Lei n.º 5765, de 18 de dezembro de 1971, no Brasil, regulou desde então muitos outros. Por exemplo: acerto (ê) / (é), acordo (ô) / (ó), corte (ô) / (ó), forma (ô) / (ó) (substantivos/ formas verbais); cor (ô) / (ó) (substantivo / elemento da locução “de cor”); bola (ô) e bola (ó), sede (ê) e sede (é); molho (ô) / molho (ó), ambos substantivos. Cf. “Supressão dos acentos nas palavras homógrafas: pelo, para, molho. sede, cor“, de Lúcia Vaz Pedro (“Jornal de Notícias”, 4/10/2015).

Transcrito, com a devida vénia, do blogue da AICL, Colóquios da Lusofonia.

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