Jovens moçambicanas observam alguns dos livros que se encontram exposto na biblioteca da Escola Polana caniço. Maputo, Moçambique, 15 de abril de 2011. ANTÓNIO SILVA/LUSA
Jovens moçambicanas observam alguns dos livros que se encontram exposto na biblioteca da Escola Polana caniço. Maputo, Moçambique, 15 de abril de 2011. ANTÓNIO SILVA/LUSA

Escritor Borges Coelho defende maior acesso aos livros em Moçambique

Maputo, 04 mai (Lusa) – O escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho defendeu hoje que é preciso facilitar o acesso aos livros no país, num encontro realizado em Maputo por ocasião do Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, que se assinala sexta-feira.

“Em Moçambique, por exemplo, um estudante pobre precisa de seis meses para comprar um livro. Isso é uma vergonha. É necessário que se adotem medidas para facilitar o acesso aos livros”, frisou o escritor.

Para o autor moçambicano, é preciso levar os livros à juventude, evitando a uma certa elitização da literatura.

Borges Coelho lançou o apelo durante uma conversa com o romancista e investigador literário Hélder Macedo, promovida pelo Centro Cultural Português e pela Fundação Calouste Gulbenkian, que preside atualmente à Comissão Temática da Língua Portuguesa em Portugal.

Além de ser necessário facilitar o acesso aos livros, os dois autores apontaram mais batalhas por travar.

Hélder Macedo apontou o facto de a maior parte dos moçambicanos não terem o português como a primeira língua como um desafio para os escritores do país na atualidade.

“Eu presumo que um dos maiores desafios para Moçambique a nível da literatura é o facto de [a língua portuguesa] não ser falada pela maior parte da população”, referiu o autor de “Partes de África”.

Por outro lado, defendeu que a literatura nos países africanos de língua portuguesa tem o desafio de redefinir a sua posição, considerando que a narrativa da “transição revolucionária” está esgotada.

“A mim interessa-me bastante ver agora o que se segue. Aquela fase de transição revolucionária já passou, passaram-se 40 anos”, declarou à Lusa, acrescentando que o grande ideal da consolidação das identidades nacionais já acabou.

“Há, na verdade, várias literaturas que usam a mesma língua. É fundamental ver os desenvolvimentos específicos”, observou, acrescentando que ainda há muito espaço para as novas gerações na literatura da lusofonia.

Borges Coelho considerou importante a “agitação” literária que a lusofonia está a viver e apontou que “o grande desafio é o da publicação”, referiu o autor de o “Olho De Hertzog”.

A conversa entre os dois autores juntou várias personalidades no Centro Cultural Português em Maputo, entre académicos e escritores, com destaque para nomes como Mia Couto e Brazão Mazula.

Hélder Macedo soma diversas distinções ao longo da vida académica e literária, entre os quais o prémio do Pen Clube Português de Ensaio em 1999 com “Viagens do Olhar” e o prémio do Pen Clube Português de Novelística em 2006 com “Sem Nome”.

João Paulo Borges Coelho recebeu o Prémio José Craveirinha em 2006 com “As Visitas do Dr. Valdez” e o Prémio Leya em 2009 com “O Olho de Hertzog”.

EYAC // JPF – Lusa/Fim

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